sábado, 31 de janeiro de 2015

 PAPEL  DE TRISTÃO ,  DE  MÉRTON  E  DE   JOÃO  XXIII   NA   QUESTÃO   ENTRE  RÚSSIA  E  EUA  (1962/3)

"JOÃO  XXIII   era um homem  santo e bom.  E  ERA  AMBAS AS COISAS POR SER EM PRIMEIRO LUGAR "HOMEM"- ISTO É,  UM  SER  PLENAMENTE  HUMANO. ESTE É O GRANDE SENTIDO DO PAPADO, do Concílio, da "Pacem in Terris". Sendo homem preocupava-se com outros homens (sentia-se que Pio XII, por exemplo,  se preocupava mais com princípios).  O Papa João  não era apenas um humanista. Estava profundamente preocupado com a humanidade que partilhava com os outros homens, seus irmãos. A Pacem in Terris  não é teologia. Diz simplesmente que a guerra é um pecado porque é inumana. Sem dúvida, todos o reconheceram e responderam à encíclica com sinceridade. Mesmo os russos.  De fato, sente-se que alguns dos que  menos  aceitaram essa profunda humanidade do papa eram homens que estavam perto dele em Roma. É um fato vergonhoso, porém compreensível.  Que ele repouse em paz, esse grande bom pai que eu certamente amava, que foi pessoalmente muito bondoso para comigo. Não creio que ele tenha deixado de ser  pai para todos nós e para mim. Se durarmos o tempo suficiente, nós  O  CANONIZAREMOS.  Não  hesito em pedir sua intercessão desde já!" ( Carta de Tristão de Athayde). Obs.: em 1962/3 o mundo viveu uma possível guerra nuclear entre Rússia e EUA.  MÉRTON escreveu um livro  defendendo a paz e contra o uso da bomba atômica. Seus superiores probiram sua publicação na época! O Brasil já dispõe da tradução dele. 


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

CENTENÁRIO   DE  MÉRTON  CELEBRADO   TAMBÉM   NO   CÉU

"Cada vez mais começo realmente a me sentir gradativamente só, vendo  os cadáveres que ficaram  pouco a pouco pelo caminho, o último dos quais esse  MÉRTON (10/12/1968)- cuja ausência do mundo num retiro de Getsêmani está se tornando,  cada dia mais para mim, um vácuo sério. Este vácuo, embora poucos no mundo o sintam, pois nunca chegou nem de longe a exercer a influência imensa de Maritain - que realmente foi  um revolucionário e, por isso, mesmo, recebeu em cheio a alma e o assentimento  total de nossa geração - é único.  MÉRTON foi um dos chamados - e por isso é que tanto o senti unido intimamente  ao meu próprio  périplo interior -  foi se libertando da couraça e tornando-se um homem realmente livre. De modo que, ao partir, me deixa totalmente desamparado como apoio intelectual e espiritual "de fora". E deixado às minhas próprias forças ou, antes, fraquezas, não tenho hoje mais nenhum mestre. Só o Mestre . O Único. Ninguém mais no horizonte, longe ou perto. Foi-se JOÃO XXIII, no alto da colina,  aguentando a gente cá de baixo. E foi-se o ermitão que, do fundo de sua solidão,  via melhor do que todos. E para encerrar a série que e screvia sobre Gandhi com citações  do próprio, que MÉRTON escreveu em 1964 sobre uma antologia dos seus pensamentos que, afinal, foi ver de perto na própria Índia, onde afinal foi,  pela graça de Deus,  realizar uma de suas grandes aspirações, que era  conhecer de perto  o monaquismo hindu"(Petrópolis, 06/01/69, em carta à filha abadessa).
CENTENÁRIO   DE   NASCIMENTO   DE   THOMÁS   MÉRTON  31/01/2015

Parabéns, THOMAS  MÉRTON", neste centenário de teu nascimento: 31/01/2015! Teu maior amigo brasileiro, TRISTÃO DE ATHAYDE,  recorda o que falou de ti, em carta à sua filha monja, Maria Luiza (07/07/1964): "Os sinos estão repicando na catedral. Por que será? algum aniversário petropolitano ou imperial? Ontem à noitinha passei pelas freirinhas da  Companhia da Virgem  para entregar o livro  "Life and holiness" para o qual escrevi o prefácio agora, e devolver umas revistas  que me haviam emprestado com  artigos do mesmo Mérton. Quanto mais o leio, mais me convenço de que é o maior escritor católico vivo. Escritor, isto é,  uma pena não especializada (como um Maritain, filósofo;  um Mauriac, romancista; um Rahner ou um Journet, teólogos e bons), e levando a todos  de vários planos do espírito, o que li de mais essencial na mensagem da Igreja, em termos que o homem culto hoje entende e gosta. Sinceramente não vejo outro. Na carta dele à irmã Emanuel ele teme ("I am afraid")  que  eu tenha exagerado a sua importância como escritor católico.  Não exagero nada. Procuro e não encontro outro que diga as coisas como devem ser ditas, do modo como devem sê-lo e interpretando admiravelmente a verdadeira  posição da Igreja.  Nunca, até agora, me encontrei  em desacordo com ele. E só lamento não ler tudo o que escreve.  É um homem que nada escreve  senão depois de ir ai heart of the matter". E na carta de 21/02/1966 à mesma filha abadessa: "... Se, em 1928,  eram Chesterton e Maritain as duas janelas  que se abriam para que eu respirasse mais à vontade e encontrasse, por essa vibração deliciosa, o caminho da Casa - hoje são Mérton e Teillard que me abrem novas janelas para arejar a casa, a Casa onde João XXIII abriu tantas janelas, mas cuja morte quase que as fechou de novo, a pedido de Paulo VI, para que eu não me resfriasse..."Estou sentindo que começo a ser injusto com o nosso Montini: por que não o tenho lido bastante! Pois estou certo de que ele, Montini, não mudou.  Eu é que mudei... para pior, depois da primavera do nosso João! Preciso voltar ao ano todo, com outonos, invernos, verões... Ciao." 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

MÉRTON   E   OS   POETAS   BRASILEIROS

"Acho os poetas brasileiros diferentes dos outros poetas latinoamericanos. Sua ídole mansa, seu amor franciscano pela vida, seu respeito por todos os seres vivos só está plenamente reproduzido, tanto quanto eu saiba,  em Correia Andrade, do Equador, e Erasmo Cardenal, da Nicaragua. Não há nos brasileiros nada de duro, de amargo,  de artificial, nem atitudes doutrinadoras, coisas que se encontram  em tantos poetas hispanoamericanos, por  mais admiráveis que sejam.  Que diferença entre Manoel Bandeira, ou Jorge de Lima, cujo amor é pelos homens , e em alguns dos poetas marxistas escrevendo  em espanhol, cujo amor é por uma causa.  Acho que Jorge de Lima sobretudo é um poeta que entusiasma profundamente, um místico de visão tanto cósmica como cristã.  Escrevi ao meu amigo Lax, imediatamente,  quando descobri o grande , incomparável circo deste brasileiro.  O mesmo humor paradisíaco, contemplando o universo como um jogo - ver o capítulo oitavo do livro  dos Provérbios". Depois de  amanhã, sábado, 31 de janeiro,  CENTENÁRIO  de  nascimento  de  THOMAS MÉRTON.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

DIA  DA  CONVERSÃO  DE  THOMAS  MÉRTON:  16/11/1938

EM 1935, A CONVITE DE UM  AMIGO,  MÉRTON chega aos EUA.  Ingressa como aluno  de segundo ano na Universidade de Colúmbia. Em 1938 foi  batizado. Parece-me que sua vida entre a chegada aos EUA, em 1935  até o  batizado em 1938, foi muita  rica de acontecimentos, das mais variadas espécies. Aconselho a leitura das centenas de páginas deixadas por MÉRTON, escritas com a transparência de uma alma em busca de um porto. Certa feita, dobrando a esquina da 121st Street, encontrou o Padre Ford,  conhecido da Universidade, que a seu pedido levou-a até a casa, confessando querer tornar-se católico. Indicou-lhe como instrutor o Padre 
Moore. Pensando também em consultar um leigo sobre o desejo de abraçar o estado eligioso, tomou parte num curso de filosofia tomista dirigido por Daniel Walsh que lhe moldou e dirigiu a vocação ao sacerdócio. Por fim, no dia      16 de novembro de 1938 foi batizado   e fez sua primeira comunhão. sendo oficiante o PADRE  MOORE.  REPITO: vale a pena ler, meditando, recordando mesmo os dias longínquos, quem sabe, de nosso batismo, de nossa primeira comunhão e seus preparativos, de nossos escrúpulos de morder a hóstia, de temer perder o jejum engolindo a saliva, etc. E não se esqueça: dia 31/01/2015 comemoramos o CENTENÁRIO  de  NASCIMENTO   de   THOMAS  'MERTON!
("A  MONTANHA   DOS  SETE   PATAMARES", DE THOMAS MÉRTON).

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

PRÓXIMO    31/01/2015  =  CENTENÁRIO   DE NASCIMENTO  DE   THOMAS   MÉRTON

 Morto o pai em 1931, MÉRTON, na Inglaterra, com 16 anos, depois de alguns meses de depressão, sentiu-se plenamente libertado  de tudo que  impedia sua vontade de fazer o que mais lhe aprouvesse.  Recebendo então o convite de um amigo que fosse aos Estaddos Unidos, embarcou para a América em 1935,  já passados cinco anos da morte do pai, quando assim conquistara a liberdade plena, embora, muito mais cedo que pensasse, iria descobrir que, ao invés da liberdade,  caíra no mais medonho cativeiro: os últimos traços de religião se lhe apagaram. Tornou-se zeloso de guardar o templo de seu espírito contra todos os intrusos para se dedicar ao preito de uma vontade estúpida.  Adquirira o "status" de um autêntico homem completo do século XX! Pertencia assim  ao mundo em que vivia: um legítimo cidadão de um século horripilante, o século dos gases venenosos e das bombas atômicas, um homem vivendo no limiar do Apocalipse, um ser vivendo na morte, veias cheias de veneno. Leitor de Baudelaire bem que  poderia ouvir dele: "Hypocrite lecteur, mon semblabe, mon frere...". Acontece, porém, que "meu pai me despertara o gosto pelas poesias de William Blake. Aos 16 anos suas metáforas começaram a maravilhar-me. Cheguei ao ponto de me perguntar que espécie de homem ele teria sido, em que acreditaria? Impressionado, por exemplo, pelo que lia em Blake, ora  sobre figuras de sacerdotes atemorizantes e hostis, ora, em outra página, por exemplo no poema "O Monge Cinzento", a respeito de um sacerdote  santo,  heroi da caridade e da fé, culminando por confessar no fim da vida ao amigo Samuel Palmer que a Igreja Católica era  a única que ensinava o amor de Deus. Convencera-me de que Blake era um homem bom e santo, porque sua fé era real e seu amor por Deus poderoso e sincero. E pensei: "através de Blake chegarei um dia à única igreja verdadeira e ao Único Deus Vivo por intermédio de seu Filho, Jesus Cristo". MÉRTON  batizou-se em 16 de novembro de 1938.