segunda-feira, 28 de outubro de 2013

ORAÇÃO   DE   FRANCISCO

Podemos caminhar quanto quisermos. Podemos construir tudo que quisermos. Ma se não professarmos Jesus Cristo, alguma coisa vai mal! Nós nos transformaríamos  numa ONG, mas jamais na Igreja, esposa de Cristo. Que aconteceria se edificássemos  sobre uma rocha? Aconteceria o que ocorre  às crianças numa praia,  quando construissem  castelos sobre a areia: tudo se desmoronaria, falta de consistência.  Quando não confessamos Jesus Cristo,  vem-me à mente esta frase de Léon Bloy:  "Quem não reza ao Senhor invoca o diabo. E quando não confessa Jesus Cristo confessa a mundanidade do diabo, a mundanidade do demônio". Quando caminhamos sem a cruz, quando construímos sem a cruz, quando confessamos com Cristo mas sem a cruz, não somos os discípulos de Jesus. Somos mundanos. Somos bispos, padres, cardeais, papas, tudo, menos discípulos do Senhor! Gostariamos que nós todos, após esses dias de graças, tivéssemos a coragem , sim, a coragem,  de caminhar na presença do Senhor, com a cruz do Senhor, que tivéssemos a coragem  de edificar a Igreja sobre o sangue de Cristo derramado sobre a cruz, a coragem  de confessar a glória única, o Cristo Crucificado. Assim a Igreja pode andar para a frente!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

TRISTÃO   EMPOLGA-SE   COM  O  PROGRESSO DA COMUNICAÇÃO

Dois fatos marcaram os 16 anos do jovem ALCEU (1893-1983).  Em 1909 ele estava  em Berlim no hotel Adlon, que se tornaria famoso como centro da luta final de Hitler, em 1945, contra as tropas soviéticas que afinal tomaram a cidade. Ao lado do hotel estava situado o famoso Branderburgger Thos, uma espécie de "arco do triunfo" alemão onde Alceu tivera conhecimento de que LOUIS BLÉRIOT (1872-1936, aviador francês) tinha atravessado  o Canal da Mancha de avião. "Foi um estrondo tão grande, escreveu Alceu em carta de 01/01/1969,  no mundo,  como quando Hindenburg, alguns anos depois atravessou sozinho o Atlântico com o dirigível alemão Zeppelin. ALCEU e o pai recordaram-se então de que em 1900 tinham visto pela primeira vez automóveis circulando pelas ruas de Paris, "já do tipo dos famosos "taxis" de 1909 e que "salvaram Paris" com a manobra envolvente do general Galiéri contra as forças do general alemão Voultludt que desviou suas tropas para o Mein, aparentemente de modo irresistível, e onde as  tropas alemãs foram contidas pelas  forças do marechal Joffre. E com isso a história do mundo tomou novo rumo, diferente do de 1870, com a derrota da Alemanha.  Sabe-se que, no período de 1870-1914, o mundo presenciara  o  fenômeno da ascensão da Alemanha a potência mundial. 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

   JOÃO   XXIII   UM  BOM  HOMEM   OU   UM   HOMEM  BOM?

O papa JOÃO XXIII foi um "BOM HOMEM" ou um HOMEM BOM? Um  eminente purpurado da Cúria romana, quando inquirido por um culto católico brasileiro sobre o pontífice que acabara de falecer no dia 04/06/1963, deu a seguinte  resposta: "Ele FOI UM BOM HOMEM". O "sorriso ligeiramente enigmático" de que se revestiu a resposta levou TRISTÃO DE ATHAYDE a recordar que "a importância que possui, na  estilística  de todas as línguas, a colocação de uma palavra numa locução idiomática, por vezes cria a necessidade de deslocar-se na frase uma palavra" (como na resposta do citado cardeal)  para se obter a exata compreensão de um termo" (no caso o adjetivo BOM  empregado  na resposta obtida pelo TRISTÃO). De fato, a expressão "bom homem" , no contexto, qualificando João XXIII, equivale a dizer que ele era um homem fraco, ao passo que  "homem bom" significaria que ele era um homem  forte, de modo especial sob a ótica da vida orientada pelas lições de Cristo. Aliás, a diferença se comprova pelo dizer de São Paulo (II Cor. XII,9): "Virtus in infirmitate perficitur": é na fraqueza que a força manifesta todo o seu poder ou: a força é um fruto da fraqueza. Trata-se aqui de uma força moral e não de uma força física.  João XX III, comenta Tristão, é a própria expressão dessa força moral infinita que a autêntica bondade possui naqueles cujas forças físicas declinam e cujo prestígio ultrapassa porventura o de todos os seus predecessores. Com efeito, esse mistério talvez provenha de ter esse grande papa tomado realmente a sério aquela intenção com que convocou o Concílio  Vaticano II; rejuvenescer a face do Cristo, querendo fazer da IGREJA realmente o CRISTO VIVO entre os povos, e da Civilização Cristã uma realidade moral e política, e não apenas um slogan eleitoral ou oratório. Mistério esse que talvez provenha também do fato de que JOÃO XXIII lia diariamente os Santos Evangelhos, que vivia integralmente em nossos dias, tornando-se um dos maiores papas do mundo moderno, legando ao povo de Deus a imagem de UM HOMEM BOM. Atenção: quanto à questão linguística acima levantada, leia-se no "ARTE DA COMPOSIÇÃO E DO ESTILO", do padre Antônio da Cruz C.M., o cap.X, da Originalidade do Estilo: Escrever com relevo: um adjetivo. 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

JOÃO   XXIII   SERÁ   CANONIZADO

Em carta de 08/06/1963 à sua filha Madre Tereza,  TRISTÃO de ATHAYDE escrevia:  "Assim  vão se passando as horas e os dias nesta vigília do novo Conclave (eleição do sucessor de João XXIII). O Arcebispo de  Boston, o Cardeal Cushing, declarou  que iria promover já o processo de canonização  do nosso bom Pai-João.. São João XXIII soa bem! Enquanto isso, vamos pedindo ao Espírito Santo não nos dê uma penitência muito grande, depois desses quatro anos e meio de escandalosa proteção.   Pois quando é que eu poderia esperar em 1958 (morte de Pio XII) que teria  um João XXIII no Vaticano?...e, com o apoio invisível do nosso João, me senti à vontade para voltar a ser  eu mesmo e continuar a evoluir à vontade,  sem me sentir impedido por escrúpulos. Há de custar muito a mudar  o ar parado que se respira dentro da Igreja.  Serão precisos muitos Joões!  E um só já é um milagre!  Há sempre mil meios de torcer o que dizem e fazem  os Papas.  Tanto num sentido como no outro. E o que prevalece em geral na Igreja é o medo de mudar, é a rotina, a repetição, a obsessão do passado. E foi essa a extraordinária aventura do que já hoje se chama "a linha roncaliana", isto é,  a linha que um obscuro pré-roncaliano exprimia há uns bons 20 anos, quando começou não sei que artigo dizendo: 'A Igreja está voltada para a Idade Nova e não para a Idade Velha'.  E ainda era no tempo de Pio XII apresentado hoje como sendo um conservador, o que só poderá ter um vislunbre de verdade, em face do espírito renovador do nosso velhinho que hoje estará conferindo suas contas lá por cima para ver se fez mesmo  tudo o que tinha de fazer ou mesmo um pouco mais...Se tiver avançado o sinal, então já se sabe: o próximo terá de retardar o sinal. Ninguém mais pastoral do que o nosso João. E no entanto ninguém se meteu mais a fundo em coisas da vida econômica, industrial e agrícola. Está se vendo  com que açodamento nosso Pai João quis promulgar as duas grandes encíclicas sociais ( Mater et Magistra e Pacem in Terris), justamente para mostrar que o seu pastoralismo  não era apenas do outro mundo mas também deste mundo. E graças a Deus o fez a tempo. Não é mais possível apagar o que está escrito nas duas grandes Encíclicas!"

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A   EXPERIÊNCIA   DE   GOVERNO   DO   PAPA

O padre Antonio Spadaro, entrevistador de FRANCISCO,  perguntou-lhe:  "Acha que sua passada experiência de governo pode servir à sua atual  ação no governo da IGREJA UNIVERSAL?"O Papa, depois de uma breve pausa de reflexão, torna-se sério, mas muito sereno. " Na minha experiência de superior na Companhia, para dizer a verdade nem sempre me comportei assim, ou seja,  fazendo as necessárias consultas. E isso não foi uma coisa boa.  O meu governo como jesuíta no início tinha muitos defeitos.  Estávamos num tempo difícil para a Companhia: tinha desaparecido uma inteira geração de jesuítas. Por isso, vi-me nomeado Provincial ainda muito jovem. Tinha 36 anos; uma loucura. Era preciso enfrentar situações difíceis e eu tomava as decisões  de modo brusco e individualista. Sim, devo acrescentar, no entanto, uma coisa: quando entrego uma coisa a uma pessoa, confio totalmente nessa pessoa. Terá que cometer um erro verdadeiramente grande para que eu a repreenda.  Mas, apesar dissso,  as pessoas acabam  por se cansar do autoritarismo. O meu modo autoritário e rápido de tomar decisões levou-me a ter sérios problemas e a ser acusado de ser ultraconservador.  Vivi um tempo de grande crise interior quando estava em Córdova. Claro, não, não sou certamente como a Beata Imelda, mas  nunca fui de direita. Foi o meu modo autoritário de tomar decisões que criou problemas. Digo estas coisas como experiência de vida e para ajudar a comp   reender quais são os perigos. Com o tempo aprendi muitas coisas. O Senhor permitiu esta pedagogia de governo, mesmo através de meus defeitos e dos meus pecados. Assim, nas reuniões com os seis bispos auxiliares colocavam-se perguntas e abria-se espaço para a discussão. Isto ajudou-me a tomar as melhores decisões. E agora ouço algumas pessoas que me dizem: Não consulte demasiado e decida! Acredito, no entanto,  que a consulta é muito importante. Os Consistórios  e os Sínodos são lugares importantes para tornar verdadeira e ativa esta consulta. . Deve-se torná-los menos rígidos na forma. Quero consultas reais, não formais. A consulta dos 8 cardeais não é uma decisão simplesmente minha, mas é fruto da vontade dos cardeais, tal como foi expressa nas Congregações Gerais antes do Conclave. E quero  que seja uma consulta real, não formal".
ENTREVISTA   COM   O   PAPA   FRANCISCO

Da entrevista concedida ao Padre jesuíta Antonio Spadaro, dia 29/08/13,  pelo papa FRANCISCO, destaco o trecho abaixo, importante pela visão da maneira pela qual o pontífice está entrando em contato com os diferentes membros da IGREJA. Interrogado sobre que ponto da espiritualidade inaciana o guiará melhor a viver seu ministério, o papa disse o seguinte: "O  DISCERNIMENTO!" O discernimento é uma das coisas que Santo Inácio mais trabalhou interiormente.  Para ele o discernimento é um instrumento de luta para conhecer melhor o SENHOR e segui-lo mais de perto. Impressionou-me sempre uma máxima com que se descreve a visão de Inácio: "Non coerceri a maximo, sed contineri a minimo divinum est"(não estar constrangido pelo máximo e, no entanto, estar inteiramente contido no mínimo, isto é divino).  Refleti muito sobre esta frase a propósito do governo, de ser superior:  "não estarmos restringidos pelo espaço maior, mas sermos capazes de estar no espaço mais restrito". Esta virtude do grande e do pequeno é a MAGNANIMIDADE, que da posição em que estamos nos faz olhar sempre o  horizonte. É fazer as coisas pequenas de cada dia com o coração grande e aberto a DEUS e aos OUTROS. É  valorizar  as coisas pequenas no interior de grandes horizontes, OS  do  REINO de DEUS. Esta máxima oferece os parâmetros para assumir uma posição correta para o DISCERNIMENTO, para escutar as coisas de DEUS a partir  do seu ponto de vista. Para Santo Inácio os grandes princípios devem ser encarnados nas circunstâncias de lugar, de tempo e de pessoas. A seu modo, JOÃO  XXIII  colocou-se nessa posição de governo, quando repetiu a máxima "OMNIA   VIDERE (ver tudo), MULTA  DISSIMULARE (não dar importância a muito),  PAUCA  CORRIGERE  (corrigir pouco),  porque, mesmo vendo tudo, a dimensão máxima, João XXIII  preferia agir sobre pouco, sobre uma dimensão mínima. Pode-se ter grandes projetos e realizá-los agindo sobre poucas pequenas coisas. Ou pode-se usar meios fracos que se revelam  mais eficazes do que os fortes, como diz São Paulo na Primeura Carta aos Coríntios. Esse discernimento requer tempo. Muitos, por exemplo,  pensam que as mudanças e as reformas podem acontecer em pouco tempo. Será sempre necessário  tempo para lançar as bases de uma mudança verdadeira e eficaz. E esse é o tempo do discernimento. E, por vezes,  o discernimento, por seu lado,  estimula a fazer depressa aquilo que inicialmente se pensava fazer depois.  E foi isto  o que também me aconteceu nestes meses.  E o discernimento  realiza-se sempre na presença do  SENHOR, vendo-se os sinais, escutando-se as coisas que acontecem, o sentir das pessoas, especialmente dos pobres.  As minhas escolhas, mesmo aquelas ligadas à vida cotidiana, como usar um automóvel, estão ligadas a um discernimento espiritual que responde a uma exigência que nasce das coisas, das pessoas,  da leitura dos sinais dos tempos.  O DISCERNIMENTO  DO  SENHOR  GUIA-ME  NO  MEU  MODO  DE  GOVERNAR!". Pelo contrário, desconfio das decisões tomadas de modo repentino.  Desconfio sempre da primeira decisão, isto é, da primeira coisa que me vem à cabeça fazer, se tenho de tomar uma decisão. Em geral é a decisão errada.  Tenho de esperar, avaliar interiormente,  tomando o tempo necessário. A sabedoria do discernimento resgata a necessária ambiguidade da vida e faz encontrar os meios mais oportunos que nem sempre se identificam com aquilo que parece grande ou forte".

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

JAN   PALOCH

Em carta de 21/01/1969, TRISTÃO DE ATHAYDE,  noticiando a renúncia de dois ministros do STF diante da demissão do seu Presidente pela junta que comandava o país, ponderou que se tratava de "gestos que não tiveram, contudo, a dramaticidade do holocausto (e não suicídio) do jovem tcheco JAN PALOCH "que se autoimolou em Praga quatro  dias antes, em protesto contra a ocupação da Tchecoslovaquia por tropas soviéticas. Gesto este que "representa a prova mais dramática de que os valores espirituais continuam vivíssimos na Europa". O jovem estudante de letras (1948-1969) imolou-se pelo fogo, dia 16/01/1969, na Praça Venceslau em Praga. Assim agiu para fazer seus conterrâneos entenderem que se tornaram  indiferentes, seis meses depois da ocupação de seu país pelos russos em agosto de 1968. Na noite de 21 desse mês, por ordem de Leonid Brejnev, 300.000 homens, em paraquedas e poderosos blindados invadiram o país, sob o pretexto de consolidar o socialismo ameaçado, e ali recentemente implantado.  Somente vinte anos mais tarde os habitantes tchecos puderam saudar de volta a liberdade que lhes fora sequestrada. O protesto de JAN  PALOCH repercutiu bastante no país como no estrangeiro, tornando-se o jovem mundialmente conhecido e homenageado ("DIÁRIO de UM  ANO de  TREVAS").