sábado, 26 de fevereiro de 2011

ATENTADO TERRORISTA DE LOCKERBIE

No dia 21/12/1988 houve um atentado terrorista, a 10.000 m. de altitude, contra o avião boeing 747-121, da PAN AM, voo 103, que levantara voo do aeroporto de Londres com destino a Nova Iorque. O avião explodiu no ar acima da cidade escocesa de Lockerbie, matando 270 pessoas (259 do avião e 11 em terra), sendo 180 americanos. Depois de muitas investigações, dois líbios foram acusados como responsáveis pelo atentado. A Líbia recusou entregá-los, sendo submetida a sanções internacionais desde o ano de 1992. Depois de muitos entendimentos, os dois libaneses enfrentaram a corte escocesa na Holanda, tendo sido um deles condenado a prisão perpétua, enquanto o outro, inocentado, ganhou a liberdade. O condenado, bastante debilitado por doença grave, conseguiu autorização e regressou à Libia em 2009. Estou recordando esse fato, porque um pormenor, sempre focalizado pela televisão, quando dos discursos de Gaddafi diante de um prédio usado para suas apresentações me chamou a atenção: um ante-braço levantado num pedestal, creio, apertando, ou melhor espremendo com a mão a minúscula figura de um avião que, pelo aperto dos dedos, se parte em dois. Que tem o seu conjunto a ver com a vida de Gaddafi? Lembrei-me então do acidente de Lockerbie do dia 21/12/1988, vésperas do Natal, quando os habitantes dessa cidade escocesa se preparavam para as alegrias da vinda do Deus Menino.

GEORGES BERNANOS AMIGO DO BRASIL

Em artigo publicado na França em 27/12/1945, GEORGES BERNANOS escreveu o seguinte: "Há 7 meses, enquanto aguardava no RIO meu regresso à Europa, pude escutar num meio-dia de radioso inverno brasileiro a notícia da rendição da Alemanha espalhar-se em todos os quadrantes dessa incomparável cidade. Agradeço a Deus ter vivido esse dia. Agradeço a Deus tê-lo feito tão belo, tão puro! Gostaria de poder conformar sempre com ele o meu coração. Amigos distantes do Brasil, aos quais voa agora meu pensamento, é exatamente num momento como esse que eu teria querido dizer- vos adeus. Mas, enquanto eu viver, a palavra e a ideia de vitória não me ficarão inseparáveis do horizonte sublime que eu tinha então sob os olhos. Isto me satisfaz. Um homem pode viver muito bem de um pequeno número de lembranças, e um mais pequeno número ainda provavelmente lhe basta para sua agonia. Sejam quais forem as provações que me esperam, estou certo de que encontrarei na sua tristeza a lembrança dessa hora gloriosa, assim como um diamante sob as cinzas! Seis meses já se foram, o ano está se acabando já, não importa! Amanhã como ontem, aqui como no Brasil, eu falarei por aqueles que não querem ser enganados, que não confundem a ilusão com a esperança. A esperança é um ato heroico e desinteressado da alma de que os negligentes ou os imbecis de modo algum são capazes. Neles a ilusão substitui a esperança. Eles tomam um veneno por um alimento. Porque a ilusão é um veneno, repito, ao mesmo título e pelas mesmas razões que a heroina ou a morfina. Ela enfraquece o juízo, degrada as vontades. Sim, alguns entre nós existem que, mesmo em 1940, jamais duvidaram da vitória, tinham na vItória uma invencível esperança. Esses nunca saberiam suportar ser confundidos com aqueles que a propaganda jamais cessou de sustentar com mentiras, como se procura entreter a vida de um moribundo com injeções ou balões de oxigênio. Apesar disto eles foram até o fim, sim, mas eles não foram até ao fim da guerra, foi ela, a guerra, que foi até ao fim desses infelizes. Eles sofreram a guerra e se preparam para sofrer a paz. Sofrendo passivamente a guerra, facilitavam talvez o papel daqueles que a faziam. Mas a paz exige muito mais que o otimismo ou a docilidade. É muito menos fácil reconstruir um mundo que destruí-lo, ou antes, para destruí-lo basta a raiva e o medo, ao passo que a paz é uma obra de generosidade, de inteligência e de amor" ("SI VOUS SAVIEZ', pp.107).

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

MATIAS, APÓSTOLO DA ETIÓPIA

No dia de hoje, 24/02, a Igreja celebrava a festa de SÃO MATIAS APÓSTOLO, homenagem que depois do Vaticano II foi transferida para o dia 14/05. Os ATOS DOS APÓSTOLOS narram que "naqueles dias Pedro levantou-se no meio dos irmãos e disse que era preciso escolher dentre eles um substituto de Judas. Lembrou que deviam escolher um que os tivesse acompanhado durante todo o tempo em que o Senhor vivia no meio deles, a começar pelo batismo de João, até o dia em que foi elevado ao céu. Dava como razão dessa observação o fato de que o escolhido deveria ser testemunha da ressurreição de Jesus Cristo. Juntos todos rezaram dizendo: "Senhor, tu conheces o coração de todos. Mostra-nos". Como a dizer que a escolha deveria ser feita por Jesus que conhecia os corações, pois a eleição devia ser feita por ele e por mais ninguém. Então tiraram a sorte entre dois, José, chamado Barsabás, que tinha o apelido de Justo, e MATIAS, vindo a sorte a recair sobre MATIAS que aos onze apóstolos se juntou desde então. A escolha se deu quando os Apóstolos estavam reunidos no Cenáculo, preparando-se para a descida do Espírito Santo, dias antes da Ascensão de Jesus aos céus. Possivelmente Matias foi anunciar o Evangelho na ETIÓPIA, país atualmente em situação bastante calamitosa. São Clemente de Alexandria deixou-nos dele o seguinte pensamento: "Castigai o corpo pela mortificação, a fim de que o espírito esteja submisso ao crucificado". Morreu mártir por Cristo. Para alguns autores Santa Helena transportou parte de suas relíquias para Roma e a maior parte para Treves na Alemanha onde são honradas na igreja de São Matias. Sabemos, por outra parte, como Maritain, Bloy, a família Pierre Van Der Meer mantinham sempre acesa a lâmpada da devoção a esse santo mártir.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

"OS MORTOS DIRIGEM OS VIVOS'

Por umas duas vezes na vida dei de cara com o pensamento seguinte: "OS MORTOS DIRIGEM OS VIVOS!" Mas somente depois que minha esposa se foi, julgo-me ter sido conquistado por ele. E atualmente considero-o um dos ingredientes do conceito, da definição de um dos dogmas mais consoladores da religião católica: a Comunhão dos Santos. Assim como entre as 3 Pessoas da SSma. Trindade é tão profunda a união que as caracteriza que, embora numa haste apenas A TRINDADE contida, isto é, na natureza divina, ela desabrocha em três pessoas distintas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, assim me parece que, tendo sido nós criados - e redimidos depois da queda - na qualidade de Filhos Adotivos de Deus, portanto em misteriosa união com a Santíssima Trindade, assim quis Deus, numa imitação infinitamente longínqua daquela que liga o Pai com o Filho no Espírito Santo, assim quis Deus que aquele mesmo Espírito Santo que é, na expressão de Santo Agostinho, o laço de unidade entre o Pai e o Filho, repito: quis Deus que aquele mesmo Espírito nos abraçasse a todos e nos unisse entre nós, como a alma une as diferentes partes do corpo humano. O Espírito Santo nos envolve, como por uma corrente de ouro, a Deus e a Cristo, a todos os coros dos anjos, ao exército dos apóstolos, às legiões dos mártires, dos confessores e das virgens. Por meio DELE todos estamos unidos, compenetrando-nos, mutuamente nos pertencendo. "Embora sejamos numerosos, somos um só corpo no Cristo e membros uns dos outros (Gal.III,28). A Comunhão dos Santos interage em três dimensões diversas: a Igreja Triunfante socorre os vivos e os mortos; a Igreja Padecente intercede pelos vivos, e a Igreja Militante oferece fraternalmente as mãos aos que ainda mourejam na terra e aos que padecem no Purgatório. Não é precisamente assim que funciona a Comunhão dos Santos? Muita verdade portanto encerra a frase: "OS MORTOS DIRIGEM OS VIVOS. Isto é, os CELÍCOLAS intercedendo pelos irmãos que se purificam no Purgatorio e pelos irmãos que labutam, formando a igreja militante. OS QUE SE PURIFICAM NO PURGATÓRIO apelam aos habitantes do Paraíso Celeste em favor dos irmãos que mourejam na terra. Por sua vez, OS MEMBROS DA IGREJA MILITANTE devem estar perenemente intercedendo pelos padecentes do purgatorio e pelos irmãos a seu lado que constituem com eles a igreja militante, bem como pelos seres todos humanos que como filhos de Deus são chamados a fazer parte da Igreja Militante, remidos que foram todos pelo sangue redentor de Cristo. E termino com o pensamento do General George Patton que comandando tanques de guerra tanto colaborou na derrota dos nazistas na Segunda Guerra Mundial, quando da invasão da Europa: "Aqueles que rezam fazem mais pelo mundo que aqueles que lutam; e se o mundo vai de mal a pior, é porque existem mais batalhas que orações!"

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A POUCA CONHECIDA "COMUNHÃO DOS SANTOS"

Por COMUNHÃO DOS SANTOS entende-se a COMUNICAÇÃO MÚTUA DE SOCORROS (de orações, de expiações, de benefícios espirituais) ENTRE OS CRISTÃOS QUE: 1. SE JÁ ESTIVEREM NO CÉU, formam a IGREJA TRIUNFANTE: 2. SE ESTIVEREM NO PURGATÓRIO, formam a IGREJA PADECENTE; 3. se forem ainda passageiros nesta vida, constituem a IGREJA MILITANTE. Sempre que invocarmos a intercessão dos santos ou sufragarmos as almas do purgatório, afirmamos nossa fé no DOGMA DA COMUNHÃO DOS SANTOS. Tão forte é a solidariedade ou coesão do POVO DE DEUS que "somos membros uns dos outros: (Rom.12,5). Na medida em que somos alimentados pela seiva divina, fazemo-la circular no grande organismo: o POVO DE DEUS. Assim, ninguém está sozinho! Todos se apoiam uns sobre os outros. Todos se ajudam. Damos e recebemos sem cessar. "A caridade não busca os seus próprios interesses"(Gál.6,2). Esse intercâmbio espiritual vigora plenamente apenas entre os membros "vivos"de Cristo: os que estejam na graça do Senhor, participando de todo bem sobrenatural que se faça em todo o mundo! Mas os membros enfermos, os pecadores, não se acham desamparados. São ajudados pelos bons exemplos dos virtuosos e sobretudo pelas oracões públicas da Igreja e pelas preces e penitências das almas que imploram a Deus luz e perdão para os transviados. A Igreja Padecente se vale do refrigério dos Sacrifícios Eucarísticos, das orações, boas obras, INDULGÊNCIAS e, em troca, essas almas do Purgatório intercedem por nós. Seja para nós motivo de consolo sabermos que, aparentemente isolados, sempre agimos socialmente, envolvidos numa rede de orações, de penitências, de boas obras. Embora ninguém assista à nossa derradeira agonia, não morremos sós! Pela COMUNHÃO DOS SANTOS ocorre o que se chama a "REVERSIBILIDADE DOS MÉRITOS", a saber, o fato de que uns podem merecer pelos outros! Há uma lei de equilíbrio divino chamada a COMUNHÃO DOS SANTOS EM VIRTUDE DA QUAL O MÉRITO DE UMA ALMA É REVERSÍVEL SOBRE O MUNDO INTEIRO ( LÉON BLOY).

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

INDULGÊNCIAS

Vimos que na confissão a absolvição dada pelo sacerdote apaga não só a culpa (nódoa do pecado) mas também a pena eterna (castigo) merecida. Vimos, porém, também, que, embora perdoada a culpa e o castigo ou pena eterna, o pecado, mesmo perdoado, deixa no pecador uma tendência para o mal ou alimenta uma desordem interior. Esta desordem deve ser extinta, para que o cristão possa ver Deus face-a-face na outra vida. Para extirpar essa desordem, o penitente deve excitar em si o amor a Deus, capaz de vencer todos os amores desregrados, o que se realiza pela prática da mortificação e das boas obras e, na Igreja dos primeiros tempos, pelo jejum. Como este praticamente se tornou inexequível, na Idade Média a Igreja propôs obras mais fáceis, às quais anexou os méritos de Cristo, através das INDULGÊNCIAS. INDULGÊNCIA (do vocábulo latino "indulgere" = ter compaixão) é a remissão que a Igreja Católica nos faz da pena temporal devida aos pecados já perdoados. A aplicação da INDULGÊNCIA se faz pelo emprego muito justo e legítimo das riquezas ou méritos que constituem o chamado TESOURO DA IGREJA. Este TESOURO consta dos méritos superabundantes de JESUS CRISTO, da Santíssima Virgem Maria e dos Santos, e também de todas as BOAS OBRAS DE TODOS OS FIËIS. A indulgência é PLENÁRIA quando liberta totalmente da pena temporal devida pelos pecados. Será PARCIAL, e libera só parcialmente ou EM PARTE da pena temporal. As INDULGÊNCIAS podem aplicar-se tanto às pessoas vivas como às pessoas já falecidas e que se encontram no purgatório. Para bom entendimento do assunto, é preciso saber que o pecado tem uma dupla consequência. O pecado grave nos priva da comunhão com Deus e nos torna incapazes da vida eterna no paraíso; esta privação se chama "PENA ETERNA" do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas, às coisas criadas por Deus, que exige purificação, quer aqui na terra, quer depois da morte, no estado chamado "purgatório. Esta purificação liberta da chamada "PENA TEMPORAL" do pecado. Essas 2 penas não são uma espécie de vingança infligida por Deus do exterior, mas antes como uma consequência da própria natureza do pecado. Uma conversão que proceda de uma ardente caridade pode chegar à total purificação do pecador, não subsistindo mais qualquer pena.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

ICHTHUS = JESUS CHRISTUS DEI FILIUS

Falando das CATACUMBAS de Roma, julgo oportuno trazer ao conhecimento de todos um EPITÁFIO ou inscrição sobre a lápide do túmulo de um CRISTÃO de nome PECTÓRIO, descoberto em Autun em 1839, sem data precisa, mas seguramente um monumento dos primeiros séculos da era cristã. Eis alguns dos pensamentos nela esculpidos: "Raça divina do "ICHTHUS" celeste, recebe do Salvador dos Santos o alimento doce como o mel. Toma-o, come-o e bebe. Tua mão sustenta o "ICHTHUS". Divino "ICHTHUS", escuta minha prece, eu Te conjuro, Mestre e Salvador, que minha mãe repouse em paz! Aschandius, meu pai, a ti que tanto quero com amor filial, junto de minha doce mãe e de todos os meus, na paz do divino "ICHTHUS", lembra-te de PECTORIUS, teu filho" ("Histoire de l'Eglise", L.Marion, vol. 1, pp 315). Com certeza a palavra "ICHTHUS" lhes parece estranha, quando nos primeiros séculos do cristianimo era de uso bastante frequente. ÏCHTHUS", vocábulo grego, quer dizer em português "PEIXE". Claro que " as precárias condições em que se desenvolveu a arte cristã NOS 3 PRIMEIROS SÉCULOS NÃO PERMITIRAM EM ARQUITETURA PRIMORES ARTÍSTICOS OU DESENVOLVIMENTO DE ALGUM GÊNERO PRÓPRIO, apenas germes da arte que se desenvolveu em nossos templos. A Igreja, contudo, jamais foi contrária ao progresso das ciências ou das artes, uma vez que se enquadre esse progresso dentro dos limites retos da sã razão humana, inspirada e iluminada pelo espírito cristão. Assim, desde o início, não rejeitou as manifestações da arte, ao contrário amparou-as e procurou interpretá-las do espírito cristão". Muito natural, pois, que as primeiras manifestações da arte, dentro e fora das catacumbas, apresentassem peças arquitetônicas tomadas dos modelos pagãos e civis de Roma, no que patenteia a Igreja o seu espírito de largueza, sua repugnância pela intransigência, sem quebra dos ideais de sua fé. Ao lado, porém, e com grande aparato, figuravam as inscrições e imagens principalmente nas lápides que cobriam os túmulos e paredes. E uma das pinturas mais usuais era do "ICHTHUS", a do PEIXE. Porquê? Porque a expressão em latim "JESUS CRISTUS DEI FILIUS", e em grego, usando-se os caracteres de nossa língua: "ÏESÚS CRISTÓS TEOÚ UIÓS", permite-nos ver que as letras iniciais da expressão em grego formam a palavra grega "ICHTHUS"= peixe. Em resumo: I = IESUS; C = CRISTÓS; T = Teoú ( de Deus); U = Uiós (filho em grego). Está confuso, não? Conclua comigo e com o Pequeno Príncipe: "Nada é perfeito! "Ou com Camões, falando de nossa língua portuguesa nos Lusíadas: "E na língua na qual quando imagina, com pouca corrupção crê que é a latina". Finalizando: a imagem de Jesus Cristo era representada nas catacumbas pela figura do PEIXE. É o que até hoje ainda perdura em nossas igrejas.