sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

THOMAS MERTON - 96 ANOS DIA 31/01/11

THOMAS MERTON nasceu em Prades, França, no dia 31/01/1915. Faleceu no dia 10/12/1968 em Bancoc aos 53 anos. Monge trapista, escritor primoroso, ativista pelos direitos civis e contra a guerra, quem quiser conhecê-lo por dentro leia "Merton na Intimidade-Sua Vida em seus Diários". Daí é que extraio alguns de seus últimos pensamentos dois meses antes de falecer eletrocutado na Ásia. 10/o7/68: "Pode ser quem sabe que eu não volte. Não que espere que algo dê errado - embora seja possível. Seja como for, não espero estar aqui de volta antes de alguns meses. Desse ou daquele jeito, não me importo se eu não voltar. Se eu encontrar um lugar para desaparecer, ótimo. Se eu tiver de levar uma vida relativamente nômade, sem morada fixa, tudo bem também. O que realmente me intriga é partir para algo desconhecido, não pedindo nem esperando nada de muito especial, mas desejando tão-só fazer o que Deus exige de mim, seja lá o que for". Seu corpo foi sepultado no mosteiro de Gethsemane, EUA , onde viveu. 01/09/68: "O que se grava em minha mente é que em breve eu deixarei mesmo este lugar, para por muito tempo viver só com uma mala - tudo que tenho estará dentro dos 20 quilos que um avião carrega para a gente. Eu tinha em vista esse mosteiro (no Novo México) no fim de meu itinerário. Agora já nem sei se voltarei mesmo". 09/09/68: "É duro acreditar que esta é minha última noite em Gethsemane por algum tempo. Vou com a mente de todo aberta. Espero encontrar alguma coisa ou alguém que me ajude a avançar em minha própria busca espiritual. Mas continuo a ser um monge de Gethsemane. Se terminarei ou não aqui meus dias, não sei. A grande coisa é corresponder à vontade de Deus nessa ocasião providencial, seja lá o que for que ela traga!". 06/12/68: "Próxima parada Bancoc, depois a Indonésia onde começa toda uma nova jornada que não sei aonde me levará, nem o que eu posso ou devo planejar. Já estou farto de aviões e hotéis. Mas a jornada apenas começou, alguns dos lugares que eu realmente queria ver ainda nem foram tocados". Sua última frase nessa carta: "A maioria dos homens é incapaz de nadar antes de saber como" (Novalis). 08/12/68: Hoje é a festa da Imaculada Conceição. Daqui a pouco sairei do hotel. Vou celebrar na igreja de São Luiz, almoçar na Delegação Apostólica e depois, esta tarde, sigo para o lugar da Cruz Vermelha". Dia 11/12/68, depois de uma conferência que fizera, esperava-se a sessão da tarde, quando explanaria o assunto, para o que ia se preparar. Algum tempo depois, ouviu-se um grito vindo de sua cabana a que não se deu muita atenção, pensando tratar-se de impressão de alguns. No fim da tarde foi encontrado jazendo no chão, de costas, com o ventilador elétrico atravessado sobre o peito, funcionando ainda, havendo queimaduras no braço direito com a parte posterior da cabeça sangrando muito.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

ONDE ESTAVA DEUS?

Na "Folha" de 25/01/11, Rubem Alves perguntou onde está Deus. E um leitor mineiro hoje lhe oferece o que ele julga a melhor resposta: "Numa ocasião em que era prisioneiro num campo de concentração nazista, diante da agonia de uma criança judia na forca, Elie Wiesel foi indagado raivosamente por outro prisioneiro sobre o paradeiro de Deus naquele momento. E assim respondeu: Onde está Deus? Está pendurado ali, naquela forca!" O grande obstáculo à Fé na Providência Divina é a existência do mal físico e moral no mundo. Gabriel Marcel observa que "apesar de todos os argumentos aos quais recorrem teólogos e filósofos desde remotas épocas, é na existência do mal e do sofrimento dos homens que o ateísmo encontra sua permanente base de abastecimento". O mal, se fosse causado por Deus, ele não seria Deus, por definição santo e perfeito; Deus não santo e imperfeito não pode existir. Logo o mal só pode ser causado por CRIATURAS limitadas. Deus o permite, porque deixa as CRIATURAS seguirem seu CURSO NATURAL. Quanto ao SER HUMANO, possuídor de livre arbítrio, ele pode se desviar e desviar outros do caminho prescrito por Deus. Deus, respeitando a liberdade criada , não pode querer que o homem livre não seja livre, mas também não pode querer a falta. Ele permite à livre opção do homem cometer suas faltas, fazendo, porém reverter as faltas das criaturas em bem maior. O mal sempre supõe o bem, pois o mal é uma carência, ausência de algo que deveria existir; o MAL FÍSICO é a carência de algo no plano material; se for MAL MORAL, é a carência da finalidade adequada a que o homem deve tender. O MAL sempre supõe o BEM, só existe porque existe o bem, mas bem INACABADO, incompleto!. Sendo o MAL uma lacuna, não TEM CAUSA DIRETA, não é causado como tal. Tem uma causa indireta, causa esta que é capaz de não realizar seus efeitos até o fim ou de maneira perfeita. TAL CAUSA NÃO PODE SER DEUS, que é sempre perfeito em tudo o que faz. Mas pode ser a CRIATURA, QUE É LIMITADA E PORTANTO PODE PRODUZIR O BEM SEM CHEGAR A SEU REMATE! Não se esquecer de que toda criatura ( todo ser criado: pessoa, coisa etc.) por ter sido tirada do nada, é sempre ameaçada de cair no nada ou de falhar . Deus não pode criar algo infalível. Seria uma contradição à noção de criatura; Deus criaria então outro Deus, o que é ilógico.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O CELIBATO ECLESIÁSTICO

Folheando velhos recortes de jornais, detive-me num que tem como título "O Celibato Eclesiástico", de autoria de José Geraldo Vidigal de Carvalho. Pelo amarelado do papel parece-me contar uns 20 anos de existência, tendo sido publicado, portanto, depois do Vaticano II, logicamente quando ainda o assunto ocupava espaço frequente na imprensa. Li-o com interesse, sobretudo por causa dos escândalos levantados ultimamente em torno dos padres pedófilos, apontando alguns autores deccorrer esse fato da permanência da obrigação do celibato eclesiástico para quem receber o sacramento da ordem. Primeiro observo o seguinte: os defensores do celibato sacerdotal na sua maioria são aqueles que o assumiram na ordenação. E nesse caso está o o articulista, pois declara ele que "trata-se de uma disciplina da Igreja que, longe de ser uma imposição é um estado de vida abraçado LIVRE E CONSCIENTEMENTE por quem deseja o estado sacerdotal". Natural, pois, que sua defesa venha de quem assim o abraçou, isto é, do clero celibatário. Sabe-se, entretanto, que, já às vésperas do Vaticano II, a grita contra o celibato obrIgatório na Igreja de repente se levantou, pesadamente, NOS CURRAIS ECLESIÁSTICOS, repercutindo em discussões acaloradas no Vaticano II. E ainda hoje a matéria é objeto de discussões sérias nos meios eclesiásticos, embora fosse desejável que leigos católicos com conhecimento da doutrina católica, das verdades e valores cristãos, numa palavra: da IGREJA CATÓLICA, no Brasil, escrevessem e fossem ouvidos a respeito. Pessoalmente lamento a ausência em nosso meio de Tristão de Athayde em cujos escritos em vão procuro uma palavra sequer em defesa do celibato. Minto: numa carta a Jackson de Figueiredo, datada de 23/07/1928, ele toca, sim, no tema: "Como Ibsen tinha razão, que força a do homem só! Você preocupado com a família, você que tem alma de heroi! Eu, quando começo a sentir as prosaicas dificuldades financeiras da vida! E O PADRE FEIJÓ QUERIA SUPRIMIR O CELIBATO. QUE CRIMINOSO E COMO É SÁBIO O VATICANO ! SÓ O HOMEM SOLITÁRIO PODE SER HEROICO E SANTO MESMO!" Mas este pensar de Tristão traz a data de julho de 1928, um mês antes de sua conversão ao catolicismo, quando não passava de um iniciado nas coisas da Igreja. Sabe-se, por outro lado, que em preparação ao Vaticano II, os bispos brasileiros foram encarregados de sondar o clero a respeito do assunto. Mas antigamente o tema não merecia ser tratado com a transparência, pelo menos relativa, adquirida com o Vaticano II. Haja vista o caso de Dom Clemente Isnard, primeiro bispo de Nova Friburgo. O livro que escreveu REFLEXÕES DE UM BISPO, sobre as instituições eclesiásticas atuais teve sua circulação proibida no Rio de Janeiro. Em outro blog pretendo comentar o pensamento seguinte do articulista: "...ESTADO DE VIDA ABRAÇADO LIVRE E CONSCIENTEMENTE, etc."

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

DON CAMILLO E PEPPONI

A televisão mostrou ontem, dia 24/01/11, uma manifestação de moradores da cidade goiana de Descoberto, causada pelo aumento das passagens dos ônibus e pelo mau estado das rodovias. O comércio da cidade fechou, a polícia local foi reforçada, houve prisões e alguns feridos. A polícia confessou que houve excesso na repressão por parte de uns dois policiais que foram afastados para futuras investigações. O que.sobremodo, me chamou a atenção foi, no meio da população em correria sem destino, aos gritos, o aparecimento de uma batina preta - coisa rara em ruas de nossas cidades na atualidade - trajada por um sacerdote de meia idade, que desassombradamente, defensor zeloso e compenetrado de seu dever pastoral, de braços erguidos, apito na boca, conclamava o povo e se proteger no recinto da igreja paroquial, cuja porta principal foi imediatamente por ele aberta, enquanto de seus lábios e mais certamente de seu coração de autêntico representante de Cristo brotavam as seguintes palavras que traziam a minha mente episódios similares de perseguições da Igreja: " Como posso deixar meu povo sofrer deste jeito?" E a multidão logo atendeu ao chamado do pastor que de imediato me lembrou as figuras muito pitorescas de dois personagens, Don Camillo e seu rival Peppone , de romances escritos por Giovannino Guareschi, no final da segunda guerra mundial. Já antes, Guareschi se indispusera com Mussolini pelas críticas a seu movimento , tendo-lhe valido o ingresso forçado no exército e três anos de cadeia. Tendo com seus burlescos romances satirizado comunistas e democratas cristãos, muito contribuiu para a derrota do comunismo na eleição de 1948. Dom Camillo, pároco da aldeia de Reggio, e Pepponi, seu rival, prefeito comunista, eram os personagens bastante celebrados pelos milhares de leitores na Itália e no exterior. O moderador de seus embates violentos era o Cristo do altar da igreja local. O último diálogo violento entre os dois deu-se, creio, numa noite de natal, passada na casa paroquial de Reggio. Sentados junto de uma mesa, em misterioso silêncio, olhos fixos nas personagens do presépio, deram-se as mãos e a PAZ se fez. Parabéns ao sacerdote, que me despertou com o belo gesto a figura de Dom Camillo, pela atitude peregrina que suas ovelhas nunca hão de esquecer!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

EFEITOS DA DESOBEDIÊNCIA DE ADÃO E EVA

Toda falta contra as leis divinas consiste numa repulsa, num afastar-se de Deus e num apego desordenado às criaturas: pessoas, bens, etc,. Por causa desse apego desordenado às criaturas, mesmo quando a falta é perdoada, permanece um débito, um castigo ou pena que se apaga ou se paga por meio da SATISFAÇÃO que é uma reparação da injúria que nossas faltas causam a Deus ou do dano que causam ao próximo. Esta satisfação pode ser sacramental, se é imposta pelo sacerdote no confessionário; será voluntária, quando a impomos a nós mesmos em suplemento à satisfação sacramental. Quando alguém é batizado, não só se apaga a falta original como também a obrigação da satisfação, uma vez que sendo os merecimentos de Jesus Cristo de valor infinito, a satisfação ou reparação por ele efetuada foi usada na sua plenitude, donde o batizando, além de adquirir a graça santificante, fica isento da pena ou castigo decorrente da falta original. O mesmo pode ocorrer quando alguém é perdoado pela absolvição sacramental, pela confissão a um sacerdote, caso em que , porém, a aplicação da satisfação em virtude da paixão de Cristo dependerá das disposições do penitente. O sacramento da penitencia ou confissão não é, portanto, uma regeneração como é a do batismo em que se aplica na totalidade o mérito da paixão de Cristo, mas é como um remédio aplicado que tanto mais eficaz será quanto melhor for a disposição do penitente. A razão disto vamos buscar na história do que ocorreu, quando nossos primeiros pais ofenderam a Deus. Adão e Eva foram despojados da graça santificante e tiveram bastante enfraquecido o dom da integridade, que devia harmonizar perfeitamente os diversos elementos da natureza humana entre si e com o elemento superior, a saber, a justiça ou santidade. A integridade, que não é senão uma disposiçào para a graça santificante, sua descendência herdaria, mas bastante enfraquecida, pois herdaria o dever de suportar os efeitos da luta permanente contra os inimigos espirituais que são: a CONCUPISCÊNCIA, inimigo interior que trazemos sempre conosco, isto é, o amor desordenado dos prazeres dos sentidos; o MUNDO, isto é, o complexo daquelas pessoas que são opostas a Jesus Cristo e escravos da tríplice concupiscência, a saber: a CONCUPISCÊNCIA da carne, a CONCUPISCÊNCIA dos olhos e a SOBERBA da vida; e o DEMÔNIO, inimigos exteriores que atiçam o fogo da concupiscência. O demônio , sabemos, inimigo invejoso da felicidade de nossos primeiros pais, foi que os incitou ao mal.

domingo, 23 de janeiro de 2011

REFLEXÕES

1 - "Nossa liberdade é SOLIDÁRIA do equilíbrio do mundo, e é isso que é preciso compreender para não se ficar espantado com o profundo mistério da REVERSIBILIDADE, QUE É A DESIGNAÇÃO FILOSÓFICA DO GRANDE DOGMA DA comunhão dos santos. O bem que se faz ou que se deixa de fazer repercute, proporcionando um benefício ou, ao contrário, deixando de proporcionar um benefício para algum dos membros da Igreja, vivos ou mortos, da Igreja Militante ou da Igreja Padecente".
2 - "Quando praticas um ato bom ou mau, lembra-te que há almas incontáveis, almas de vivos e almas de pretensos mortos, que misteriosamente correspondem à tua, almas de escravos ou de imperadores, que podem ter animado corpos, há 5 mil anos, ou que os animam nesse momento, e que têm uma infinita necessidade de ti! Se teu ato é mau, essa multidão é repelida; se teu ato é bom como que a trazes de volta pela mão".
3 - "Não há ato isolado ou sem suporte, independente da Sintaxe Divina, que é um artigo de nossa Fé, um dogma, e que se chama "Comunhão dos Santos". Nossos atos todos são como que os termos de um período que analisamos sintaticamente; e sabemos que nele não há lugar para anacolutos!
4 - "Há uma lei de equilíbrio divino chamada a COMUNHÃO DOS SANTOS, em virtude da qual o mérito ou o demérito de uma alma, de uma única alma, é REVERSÍVEL (que reverte) sobre o mundo inteiro. Um homem que não reza causa um mal inexprimível em qualquer língua, humana ou angélica. O silêncio dos lábios é extremamente mais terrificante do que o silêncio dos astros".
5 - Ö que se chama livre arbítrio é semelhante a essas flores banais cujas penugentas sementes o vento leva a distâncias por vezes enormes, para fecundar não se sabe que montanhas ou vales. A revelação desses prodígios constituirá o espetáculo de um minuto quem sabe, mas que durará a eternidade". Pensamentos de Léon Bloy, tirados do livro LÉON BLOY, de Octavio de Faria.

"COMUNHÃO DOS SANTOS" - 3

Visto que: a) os MEMBROS da IGREJA CATÓLICA estão unidos entre si como MEMBROS de um MESMO CORPO de que JESUS é chefe: b) de que os que vivem na terra compõem a Igreja que milita, donde constituírem a GREJA MILITANTE; c) de que a IGREJA TRIUNFANTE compreende os fiéis que no céu gozam da visão de Deus, triunfam e reinam, com Cristo; de que os que formam a IGREJA PADECENTE são os que, morrendo sem culpa mortal, acabam de expiar e purificar-se no Purgatório, constituindo a IGREJA PADECENTE; embora esses fiéis estejam em três lugares ou estados diferentes, eles FORMAM UMA SOCIEDADE ÚNICA. Por que ÚNICA? PORQUE TÊM O MESMO CHEFE JESUS CRISTO; porque é um só o vínculo, a CARIDADE, que as une; PORQUE o CËU somente é seu termo final. Havendo uma perfeita SOLIDARIEDADE entre os membros dessa sociedade, donde o nome de COMUNHÀO DOS SANTOS, o relacionamento entre os fiéis desses três estados pode ser considerado sob 3 pontos de vista: a) a SOLIDARIEDADE dos fiéis da terra entre si; na IGREJA existe um TESOURO de BENS (depois isto será mais explicado) ESPIRITUAIS; cada membro lança nele os próprios lucros espirituais, podendo retirar o de que precisa; b) existe entre os fiéis da terra e os SANTOS do CÉU uma comunhão ou solidariedade de intercessão e de benefícios, pois os santos do céu intercedem a favor dos fiéis vivos, enquanto estes os honram, procurando imitá-los e procurando sua ajuda espiritual; c) existe uma comunhão de simpatia e de caridade entre os fiéis da terra e os santos do Céu para com as ALMAS do PURGATÓRIO; OS FIÉIS DO CÉU oram para o alívio das dores da expiação e para a diminuição de sua duração, enquanto os fiéis da terra oferecem para alívio das almas padecentes orações, esmolas e sobretudo o santo sacrfício da eucaristia, a santa comunhão e as indulgêencias de que depois falaremos. Por seu lado, as ALMAS do PURGATÓRIO saúdam e honram a Igreja Triunfante e rezam pela IGREJA MILITANTE. Consideração prática: temos a tendência de identificar a IGREJA com alguns de seus membros: um bispo, um sacerdote, geralmente para criticá-los, esquecidos de que são instrumentos efêmeros da mais bela e sublime das obras, de que a IGREJA é SANTA, mas não sem PECADORES!