sexta-feira, 28 de maio de 2010

LOURDES E O SINAL DA CRUZ

Vinte dias atrás voltou da França uma amiga que participou  de uma romaria à Gruta de Lourdes. De lá trouxe um folheto distribuído na celebração eucarística,  do qual aproveito para este papo. Na primeira aparição de N. Senhora a Bernadete, dia 11/o2/1858, diz a Santa: "Eu queria fazer o sinal da cruz, mas pelo medo não consegui. A visão então se benzeu. Procurei refazê-lo, o que consegui". Bernadete explicou: "Foi pelo medo que não consegui benzer-me! Então a Virgem  se benzeu para me ensinar que ela, a Imaculada, é o fruto da cruz de Cristo". Daí em diante, Bernadete passou a fazer o sinal da cruz com mais vagar, com um gesto mais amplo e com mais recolhimento, dando a impressão de se envolver no sinal da cruz como se envolve num chale. Um dia uma freira lhe perguntou  o que devia praticar para ir para o céu.  Ela lhe disse: "Bien faire le signe da la croix c`est déjà beaucoup" (Bem fazer o sinal da cruz é já bastante). Alguns instantes antes de morrer, dia 16/o4/1879, as irmãs que a assistiam testemunharam que, reunindo todas as suas forças, Bernadete fez o sinal da cruz e expirou. Deste modo foi com o Sinal da Cruz que Bernadete, depois de entrar nas Aparições, penetrou  na Vida Eterna. COM O SINAL DA CRUZ. Ao sermos batizados recebemos a chave de nossa existência na terra e de nossa vida eterna. Daí o pensamento do Papa Bento XVI,  visitando em 2008 o santuário de Lourdes: "No sinal da cruz feito por Maria e Bernadete se encontra toda a mensagem de Lourdes!", 

quarta-feira, 26 de maio de 2010

DIÁRIO DE THOMAS MERTON

22/09/1959: "DE QUE PRECISO? A única coisa necessária é uma verdadeira vida interior e espiritual, um crescimento verdadeiro, por minha conta, em profundidade, numa nova direção. Seja qual for a direção que Deus me indique. Minha obrigação é não parar de avançar, crescer interiormente, rezar, livrar-me de apegos e desafiar os medos, aumentar minha fé, que tem sua própria solidão, procurar uma perspectiva inteiramente nova e uma nova dimensão em minha vida. Abrir novos horizontes a qualquer custo, desejar isso e deixar que o ESPÍRITO SANTO SE ENCARREGUE DO RESTO.  MAS REALMENTE DESEJAR ISSO E TRABALHAR PARA ISSO. 18/08/1959: O que eu preciso é fazer uma viagem para um lugar primitivo, entre pessoas primitivas, e LÁ MORRER. É ao mesmo tempo uma PARTIDA e um RETORNO. Uma ida a algum lugar onde nunca estive nem pensei em ir - uma ida na qual sou conduzido por Deus, uma vida espiritual na qual eu saio de tudo que tenho agora. Sinto que minha vida espiritual está acabada, a men0s que eu faça isso. 29/07/1968: Dentro de 8 semanas devo partir daqui. Pode ser que eu não volte. Não que espere que alguma coisa dê errado - embora seja possível. Seja como for, não espero estar aqui de volta antes de alguns meses. Deste ou daquele  jeito, não me importo se eu não voltar. O que me intriga é a ideia de partir para algo desconhecido, não pedindo nem esperando nada de muito especial, mas desejando tão somente fazer o que Deus exige de mim, seja lá o que for. 08/12/1968 - BANGCOC: Hoje é a festa da Imaculada Conceição. Daqui a pouco sairei  do hotel. Vou celebrar missa na igreja de São Luiz". E NO DIA 10/12/1968 morria acidentalmente eletrocutado em BANGCOC depois de fazer uma conferência sobre Marxismo e perspectivas monásticas a líderes monásticos da Ásia.

domingo, 23 de maio de 2010

PARABÉNS, CORDISBURGO!

Neste dia, 23/05/2010, o ESTADO DE MINAS de Belo Horizonte, anuncia que "em 27 de junho  Cordisburgo, MG,  vai ganhar um monumento à altura do seu filho mais ilustre, JOÃO GUIMARÃES ROSA (19O8-1967), que completaria, na data, 102 anos. Na Praça Miguilim, a 300 metros do "Museu  Casa Guimarães Rosa" será inaugurado o "Portal Grande Sertão", com 7 figuras em bronze, tamanho natural, que retratam o autor de SAGARANA e seis vaqueiros a cavalo, acompanhados de um cachorro. Feitas pelo artista plástico Leo Santana, na Fundição Artística Ana Vládia,  em Contagem, MG, as peças recebem os últimos retoques. Ronaldo Alves de Oliveira, diretor do Museu Casa Guimarães Rosa, ao ver o conjunto se emocionou. "É um trabalho que tem alma e vai trazer JGR para mais perto de todos". A iniciativa do cenário, completado por um pórtico de chapa de ferro de 10,5m de largura x 5,20m de altura, é do governo de MG, que bancou a obra, em convênio com  a Associação dos Amigos do MCGR. O grupo de sertanejos, saudados por Guimarães Rosa, chama a atenção de quem entra na "Fundição". Foram 8 meses de serviço, diz a proprietária   ao lado do marido dando acabamento na escultura de 130kg do escritor. Mostrando leve sorriso, Rosa está de terno, com a famosa gravata-borboleta, uma carteira de anotações na mão esquerda e a caneta-tinteiro na direita. As demais peças pesam  em média 400kg, os sertanejos de olhares decididos e fisionomia forte, sobre os cavalos. Um encara o guieiro ao lado de"Diadorim", personagem de "Grande Sertão: Veredas". "Minha ideia, diz Santana, é mostrar a entrada do cenário de Guimarães Rosa. Estou muito feliz pois se trata do meu trabalho de maior proporção". Parabéns, Cordisburgo! O "cara" bem que merece! No dia de hoje, 23/05, comemora-se o aniversario natalício d0 também ilustre escritor mineiro, tio de Guimarães Rosa, Vicente de Paulo Guimarães (1901-1983), conhecido pelo pseudônimo de  VOVÔ FELÍCIO, bastante lembrado sobretudo pelas crianças mineiras, das décadas de 30, 40 e 50 do século passado, por ter sido autor de uma literatura e de revistas infantis. Seus leitores mirins eram por ele denominados "MEUS NETINHOS'. Ah! quem não se lembra!


sexta-feira, 21 de maio de 2010

SIGNAL DO CHRISTÃO

Diante de mim um livrinho mal tratado: "DOUTRINA CHRISTÃ - Para uso das crianças das Províncias Ecclesiasticas do Brasil". Abro e leio: "Pertence ao menino  Jair Barros-1938".  Com minha letra de 9 anos! "Lição Preliminar-DO SIGNAL DA CRUZ.  Sob a forma de perguntas e respostas: P. És Christão? R. Sim; sou christão pela graça de Deus. P. Qual é o verdadeiro christão? R. Verdadeiro Christão é aquele que é baptizado, crê e professa a doutrina e a lei de Jesus Christo. P. Como é que o homem se faz christão? R. O homem faz-se christão pelo BAPTISMO. P. Qual é o signal do christão? R. O signal do christão é a cruz. P. De quantos modos se faz o signal da cruz? R. De dois modos: PERSIGNANDO-SE  e BENZENDO-SE. P. Que é Persignar-se? R. É  FAZER 3 CRUZES COM O DEDO POLLEGAR DA MÃO DIREITA  ABERTA: A PRIMEIRA NA TESTA;  A SEGUNDA NA BOCCA;  A TERCEIRA NO PEITO, DIZENDO:  PELO SIGNAL (cruz na testa) DA SANTA CRUZ,  LIVRE-NOS DEUS  (cruz na bocca)  NOSSO SENHOR, DOS NOSSOS (cruz no peito) INIMIGOS.  P. Para que se fazem  estas 3 cruzes? R. Na TESTA para que Deus nos livre dos maus pensamentos; na BOCCA para que Deus nos livre das más palavras; no PEITO para que Deus nos livre das más obras  que nascem do coração.  P. QUE É BENZER-SE?  É fazer uma cruz com a mão direita aberta, da testa ao peito e do hombro esquerdo ao direito. dizendo: "EM NOME DO PAI E DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO". P. POR QUE O SIGNAL DA CRUZ É O SIGNAL DO CHRISTÃO?  R. Primeiro, porque indica, revela, que somos CHRISTÃOS e, segundo, porque nos lembra os principais mistérios da nossa FÉ.  P. QUAIS SÃO  OS PRINCIPAIS MISTERIOS DE NOSSA FÉ? R. Primeiro: UNIDADE E TRINDADE DE DEUS; Segundo: ENCARNAÇÃO, PAIXÃO e MORTE DE NOSSO SENHOR JESUS CHRISTO. Observação: quando se entra num templo sagrado, costuma-se saudar Jesus Cristo  e os Santos pelo menos BENZENDO-SE. DEMONSTRAMOS ASSIM QUE SOMOS CRISTÃOS.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

PENIDO: UM TEÓLOGO "PRATA DA CASA"

Padre MAURÍLIO TEIXEIRA LEITE PENIDO nasceu em Petrópolis, em 1895. Ainda criança foi para a Bélgica onde se educou. Bacharelou-se  em Letras pela Sorbone, em 1913. Após um período de estudos  na Universidade Gregoriana, em Roma, frequentou em Friburgo (Suiça) os cursos de Filosofia e de Teologia, matérias em que se doutorou respectivamente em 1918 e 1928. Quando lecionava em Friburgo, foi convidado em 1938 por Alceu Amoroso Lima, quando reitor da Universidade do Distrito Federal, para lecionar aí e no Instituto Católico de Estudos Superiores, funções que desempenhou durante 10 anos. Nomeado catedrático  de filosofia  da PUC, esquivou-se por escrúpulos doutrinários. Em carta escrita pelo cardeal Charles Journet a Jacques Maritain, em 13/o6/1940, onde previa a queda da França diante do nazismo, dizia o missivista que "peut-être faut-il déjà prévoir la maniere de garder le flambeau (a "esperança teologal", parece-me) allumé de lautre cotê de lOcéan pour le ramener un jour ici. Je lai écrit à labbé  PENIDO. Il habite 7 rue Fernando Mendes ( ou Cândido?), Rio de Janeiro. Il se sent bien seul". É que Penido fora professor em Friburgo e conceituado teólogo. Em 1954, com a saúde abalada, fixou residência  no seminário São José do Rio de Janeiro onde lecionou e exerceu a Direção Espiritual dos seminaristas. Faleceu no dia 23 de junho de 1970. Quando na Europa, escreveu: "La méthode intuitive de M. Bergson", Le rôle de lanalogie en théologie dogmatique", "Dieu dans le bergsonisme", "La conscience religieuse". No Brasil deixou-nos: Ö Corpo Místico", "O Cardeal Newman", "O Itinerário Místico de S. João da Cruz", "O Mistério de Cristo", "notável pela profundidez, nitidez e concisão dos conceitos", segundo D.Odilão Mourão-O.S.B. No "O Cardeal Newman"  declara Penido qual a atitude de um católico diante do mundo moderno: nem de REPULSA, porque muita verdade vem à tona e não é lícito repelir qualquer verdade, porque toda verdade vem de Deus; nem de CAPITULAÇÃO, porque aparece muito erro venenoso e aceitá-lo seria  fazer perecer as grandes verdades dogmáticas e morais; mas de CONQUISTA, sendo ele mesmo um exemplo  da aliança entre a ortodoxia inflexível e a atitude acolhedora e progressista".

terça-feira, 18 de maio de 2010

NÃO SE OUVIU PIO XII

Há pouco o Vaticano publicou recomendações sobre a formação dos atuais sacerdotes. Soou-me isto tão estranho, lembrando-me do que, faz 60 anos, o Papa Pio XII, na encíclica "Menti Nostrae" (23/09/1950) já escrevera, quando começavam a exteriorizar-se nos seminários as causas de bastantes  inquietações no tocante à situação existencial dos sacerdotes a serem ordenados,  sobretudo a partir de então:  "Se os jovens - especialmente os que entraram no seminário em tenra idade - são formados num ambiente  demasiado afastado do mundo,  ao saírem do seminário poderão encontrar sérias dificuldades nas relacões tanto com o mundo miúdo quanto com o laicato culto... Por esse motivo é preciso diminuir gradativamente e com a devida prudência a separação entre o povo e o  futuro sacerdote, a fim de que este, recebida a sagrada ordenação, quando inicia seu ministério não venha a sentir-se desorientado, o que não somente seria danoso para o seu espírito, como anularia até a eficácia de seu trabalho". A propósito transcrevo trecho do livro "Padre Penido, Vida e Pensamento", de autoria do beneditino Dom Odilão Moura, em que transparece o interesse do culto teólogo brasileiro, petropolitano,  pelo bom funcionamento dos seminários: "Queixa-se Penido (Padre Maurílio Teixeira Leite Penido), a uma carmelita, de um seminarista que por ele fora mantido no seminário, mas que o decepcionara, pois, ordenado,  pedira laicização. A carmelita lhe havia contado que estava tranquilizada, por que despedira do Carmelo uma noviça SEM VOCAÇÃO. "Compreendo bem o seu alívio ao ser liberada de tal noviça. Tive aqui no seminário caso análogo. É um martírio. Tudo passado, devo ter feito mal aos pobrezinhos, pois já estão a pedir laicização. SE TIVESSE QUE RECOMEÇAR, SERIA IMPLACÁVEL: QUALQUER DÚVIDA SERIA MOTIVO PARA AFASTÁ- LOS DO SACERDÓCIO.  COMPLACÊNCIA SERIA, NÃO JÁ CARIDADE, SENÃO FRAQUEZA"(pp. 180). 

quarta-feira, 12 de maio de 2010

CADÊ OS PIANOS?

Ao lado o artigo do Ruy de Castro: "País sem pianos", na "Folha de São Paulo" do dia 12/05/2010.  Na década de 30 do século passado, Bonfim, MG, cabeça do município, teria uns 1.000 habitantes, se tantos, mas havia um piano na casa de Mariano, pai da Santinha (o pai de Oto Lara Resende que foi estudar naquela cidade, em 1906, no Colégio Trigueiro,  conta em suas "Memórias" que por vezes executou canções acompanhadas por ela ao piano) e outro na casa do Agente Administrativo (Prefeito), um dos introdutores das Conferências Vicentinas no Brasil, Francisco Alves Moreira da Rocha, ex-caracense. Está certo, portanto, Ruy de Castro ao escrever que "o  Brasil e o piano têm uma bela história juntos. Os dois conquistaram seu espaço quase ao mesmo tempo no século 19: o piano sobre o cravo, o Brasil sobre sua condição de colônia". Lamentavelmente, porém, Bonfim, hoje com 5.000 habitantes,  só conta com dois primos pobres do instrumento característico da nobreza do século passado: um harmônio caduco  e um teclado "mudo" na igreja matriz. Mas para conhecimento de seus conterrâneos, vive no Rio um "bonfinense", viúvo de uma carioca exímia pianista e não apenas tocadora de piano, cujo lar dispunha de 4 pianos, um para a esposa, dois para cada um dos dois  filhos, e um adquirido numa tentativa - QUEM SABE - de que o "chefe de família"(!) se candidatasse senão à arte, pelo menos ao espírito de solidariedade. Em resumo: cada filho, casando-se, carregou o seu; a esposa no céu  irmanou-se à orquestra dos anjos. E eu me consolo no religioso e amoroso ofício de tirar a poeira dos dois outros, até que o casal recente de netos venha tomar posse deles.