segunda-feira, 11 de abril de 2016

COPIANDO   O   RETRATO  DE   CRISTO

"...revesti-vos do SENHOR  Jesus Cristo..." Tua tarefa, meu amigo,  consiste em copiar um retrato. Tua felicidade presente e eterna depende de o conseguires. Que retrato? O Meu! Com TUA vida! Meu Pai deu-te a tela, os pincéis, as tintas, um lugar onde deves trabalhar e um assunto para reproduzires. A tela é a tua vida, os pincéis são os teus pensamemtos, tuas palavras, tuas ações; as tintas são as inspirações, as tentações, as provações e alegrias que encontras; o lugar de trabalho é a tua vocação; o assunto sou EU! Organiza tua vida  de tal forma que quando Meu Pai olhar para Ti, veja minha imagem! Deixa-me ajudar-te.  Desejo que te revistas do CRISTO, de tal forma que eu viva em ti e tu vivas em mim, para que participes mais plenamente de Minha Natureza, como Eu participei da Tua. Para te ajudar, tornei-me HOMEM, homem verdadeiro, do berço até a morte.  Mostrei como DEUS quer que o homem viva.  Esforça-te   por imitar especialmente aquelas Minhas virtudes que são mais necessárias ao Teu estado de vida.  É assim que "te revestirás do Cristo". É assim que me permitirás viver em Ti mais plenamente. Aprende tudo  que puderes a meu respeito. Familiariza-te com minha vida. Procura ver-me andando pelos caminhos  e pelos campos da Palestina, dois mil anos atrás.  Sou verdadeiro homem e verdadeiro DEUS e por isto posso ser  um verdadeiro modelo para Ti. Meus discípulos me amaram e eu os amei também. Sentiam-se "à vontade" comigo. Falávamos francamente. Pedro, às vezes, discutia comigo e Judas murmurava em Minha presença. Traziam-me seus problemas para que eu os resolvesse. "Aplica-te cada dia a progredir na virtude, sobretudo na humildade, na paciência e na caridade"("Assim pois hás de orar": Mt. 6,9).


POLÍTICOS   DE   ONTEM   E   DE   HOJE


Em seu livro, "Se não me falha a memória",  o deputado mineiro Joaquim de Salles (p.191) conta que, um dia ( essa conversa se deu na década de 30 ou 40 do século passado), falando  a um amigo deputado  sobre a conveniência de frequentar assiduamente a Câmara, sobretudo nos 2 meses antes das eleições gerais, obteve a seguinte resposta: "Sempre exerci meu mandato em...(localidade) e há longos anos. Com esse método parece estarem contentes meus eleitores. Não frequentando a Câmara sou sempre reeleito. Frequentando-a, pode ser que venha a desgostar os meus "cabos". O prudente é não mudar de processo..." E prossegue Joaquim Salles: "Prometendo, tapeando, não servindo, Calógeras  foi sempre reeleito. Para que se incomodar subindo as escadas dos ministérios? A sua  missão era outra: trabalhar nas comissões, estudar e resolver os problemas mais graves da Nação. Nisso  ele foi exemplar e isso foi o que lhe deu realce e benemerência. Na partilha dos deveres partidários,  escolheu a melhor porção: "meliorem partem sibi elegit"... E desempenhou-os com o máximo brilho, durante um labor que começava de manhã e entrava pela noite a dentro, em dias consecutivos. Isso realmente o dispensava (a politica então se fazia na base de quem indicasse...do "padrinho")... Para tais funções não faltava, na bancada,  pessoal numeroso e habilitado". ISTO  OCORRIA  FAZ  CEM   ANOS! Alguma semelhança com o presente? FREI FRANCISCO DE MONTE ALVERNE, lembra-me a introdução de um sermão teu, cem anos atrás: "TRISTE... É  TRISTE... MUITO  TRISTE!

domingo, 10 de abril de 2016

A

sábado, 9 de abril de 2016

CARAÇA!  SEMPER   NOBISCUM!  


75 ANOS CORRIDOS desde que pulei dos braços de minha mãe  mineira para o amparo celestial da Senhora Mãe dos Homens do Caraça. E quanto mais me distancio do convívio em família, mais  perto me sinto do segundo berço: CARAÇA.  Daí a gratidão pelo   privilégio da dupla proteção que me embalou a infância e a adolescência! Daí também reviver  a presença da doce ermida do Caraça nos minutos passados diariamente quase no silêncio da igreja da Imaculada Conceição na Praia de Botafogo. Não se admire, pois, meu agradecimento pela mensagem alvissareira de anteontem vinda do Caraça. Além da curta vivência nossa na Tebaida Mineira, nossa residência no Rio por duas décadas  nos proporcionou  um quase convívio fraterno. Daí minha satisfação por esse  recente encontro epistolar e meu desejo de compartilhar com possíveis  leitores caracenses as seguintes novidades que me trouxe: "Estamos com boas chuvas até agora, este ano. Ontem por pura sorte a tarde foi bem limpa e pude ver novamente aquele espetáculo de o Sol, no momento de sumir no horizonte, iluminar diretamente o Sacrário da Igreja como acontece no dia 7 de setembro.  Tentara saber neste primeiro semestre em que dia se renovava o espetáculo, mas março e abril em geral têm as tardes nubladas. Ontem deu para ver. Já recebemos visitantes e hóspedes de 29 países este ano,  com muitos cientistas e pesquisadores, do Brasil e de fora, que dão contribuições para nossos estudos e  documentos. Achei curioso ver uns técnicos da Embrasa procurando um  minhocussu que chega a 2 metros e 10 centímetros de comprimento... E o rapaz  foi procurá-lo com enxada e pá no alto da Carapuça... Pensava que deveria ser em brejos. É uma espécie dada oficialmente por extinta, encontrada em Belo Horizonte em 1918 e depois nunca mais... Consegui do Luiz Lara Rezende os dois volumes  das memórias do velho Lara Resende. Disse-me que está trabalhando  nas memórias do pai no estilo que Alexandre  Eulálio usou para trabalhar as memórias do Joaquim Salles ("Se não me falha a memória", edição do Instituto Moreira Sales)". Que o boníssimo missivista me perdoe a invasão de seu gabinete, subtraindo-lhe notícias  muito oportunas e agradáveis a nós caracenses.  Um grande abraço!            

quinta-feira, 7 de abril de 2016

CLAUDIO  MANOEL  DA  COSTA  ATAÍDE

O  "MESTRE  ATAÍDE"  (1762-1837) nasceu em Mariana, MG. De 1807 a 1808 esteve empregado no COLÉGIO DO CARAÇA, conforme depoimento seu: " Estive por um ano mais ou menos empregado  nas obras de pintura e douramento da Capela de N. Sra. Mãe dos Homens da Serra do Caraça, por ajuste feito com o falecido Ir. Lourenço". Aí deixou marcas, do artista que era,  nos  dois altares barrocos que  vemos hoje, ao entrar na igreja gótica, logo à direita e à esquerda, preciosas relíquias da antiga ermida,  construída pelo fundador Irmão Lourenço. A imagem de N. Sra. das Dores, no altar da direita, pertencia à igreja primitiva. São obras suas também  dois púlpitos; um dourado, guardado na sala do museu, e o outro, todo pintado, conservado por muitos anos no refeitório dos alunos no lugar de leitura durante as refeições. Mais tarde, em 1828, a obra-prima do Mestre Ataíde, chamada "A CEIA DE ATAÍDE", os padres compraram por  324$000. NA DÉCADA  de  1950 a CEIA foi assistir em Belo Horizonte à inauguração do "Palácio das Artes", por lá ficando por 3 anos.  Regressando ao Caraça, conserva-se com carinho no interior da igreja gótica, do lado esquerdo, perto do altar de São Vicente. Quando em 1806 o Irmão Lourenço foi fazer em Mariana seu testamento, escolheu para testamenteiro o Tenente Manoel da Costa Ataíde. Este, em retribuição,  nos deixou o quadro a óleo, guardado no Colégio,  retratando o FUNDADOR DO CARAÇA, tal qual o viu chegando ao Caraça de viagem. Como Saint  Hilaire, ATAÍDE  viu o Irmão Lourenço e se deixou cativar "pelo muito conceito que dele fazia e familiaridade que com ele teve...em quem reconheceu sempre muita virtude, consciência e verdade" (CARRATO José Ferreira, as "Minas Gerais e os Primórdios do Caraça").

domingo, 3 de abril de 2016

BERNANOS  E  PEDRO  OTÁVIO  CARNEIRO

FINAL DE UM DIÁRIO DE PEDRO OTÁVIO sobre BERNANOS: "Barbacena, MG, maio de 1944; dias antes da despedida do escritor, regressando à França. "Je nai jamais eu la sensation que jai maintenant, sinon au temps du college, à la veille des retours de vacances: avoir à accomplir une chose entierement contre ma volonté. Rentrer en France maintenant... " Os filhos de Bernanos às vezes ilustram inconscientemente, ou representam ao vivo,  certos aspectos da obra do pai. Num passeio, por exemplo, a emoção autêntica que as meninas sentem  diante de uma choça, uma casinha humilde meio enterrada entre árvores, um canto desconhecido da cidade. O gosto absoluto que elas têm pela vida natural, simples, pobre. Por aquele gente  obscura, ignorante, natural... JUNHO 1 -   Discussões com os meninos. "Oh! Oh!Oh!" E às cinco horas, ao se despedir de mim: "Oh! penser que cest probablement la derniere fois que je vois cette heure ici...Cest effrayant..." Ele estava ainda no carro sob as grandes árvores daquela praça que parece um lugar de recreio antigo, um parque de antigamente. Olhou em roda, como se procurasse captar a luz daquela hora.  Comunicou-me sua angústia. JUNHO  2 - Já a bordo, beijou-me paternalmente. Havia um suor frio em sua face." Últimas palavras escritas por Pedro Otávio em seu diário, quando Bernanos deixou Barbacena, chamado que fora por De Gaulle para voltar a Paris ("BERNANOS no BRASIL", 1968).

sábado, 2 de abril de 2016

COISAS   DO   ZÉ-PÉRRY

Tratava-se de um vôo de reconhecimento sobre Arrás, a 700 metros. Três aviões de caça são encarregados de proteger o avião de Saintex. Tempo fechado, embaixo era a guerra. Havia o capitão Schneider, o capitão Pepe e um terceiro capitão. Logo seis Messerschmitt vêm em cima de nós. Os companheiros atacam e os atraem para que eu possa passar. Pepe e o terceiro são atingidos e mortos. Schneider fica sozinho, recebe todo o choque e salta de paraquedas de avião em chamas. Posso passar! Alguns clarões e volto. Schneider, depois de me ter salvado, quase cego, cambaleando do dor vai a pé de Arrás a Dunquerque. Prossegue, as mãos nos olhos, mas chega. Mais tarde soube disto. Eu pensava que ele estivesse morto para me salvar. "Imaginem que um dia, passando por Paris, fico sabendo que Schneider estava sendo atendido  no hospital americano de Neuilly. Corro para lá.  Sua mulher grita: "Você  não está morto?" E o marido,  roído de remorsos, recrimina:  "É por minha causa que Saint-Ex morreu; agi como um idiota! "Exupérry pára e ternamente: "Não é incrível? E entro. Ah! A alegria do companheiro! Eu lhe trazia o mais belo presente que ele  desejaria para aliviar sua alma e o corpo: "Eu lhe dava de presente o fato de estar vivo!" Exupérry pára e seu sorriso, mudo, tem toda a doçura daqueles que sabem o que os outros apenas suspeitam: a admitrável fraternidade do "grupo", dos homens do ar entre si. Ainda quer insisitir, abre-se agora: "Vocês compreendem: "Esse rapaz de cuja morte eu me culpava e que se culpara da minha! estávamos alegres, podem acreditar! E pensei: todos os livros grandes da França são assim. Transmitem  a impressão de que a civilização existe apesar de tudo!"("Escritos de Guerra", Exupérry).