segunda-feira, 16 de novembro de 2009
CAMPOS SALLES = SÃO VICENTE DE PAULO
CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO _ O presidente desta edilidade, por iniciativa do vereador REIMONT, convida para a Solenidade em Comemoração ao Centenário da ESCOLA MUNICIPAL CAMPOS SALLES, primeira escola de Educação Infantil do Rio de Janeiro, e ao cinquentenário do COLÉGIO SÃO VICENTE DE PAULO, Rua Cosme Velho, a realizar-se no dia 16 de novembro de 2009, à 10 horas, no Palácio Pedro Ernesto, na Cinelândia. Arredio pela idade e por temperamento a esse tipo de congraçamento, atendi ao gentil convite intermediado pelo Padre Lauro Palú, diretor do São Vicente, não esquecido, ademais, de que quase três anos de minha vida passada eu bliquitara naquele estabelecimento, "noblesse", portanto, "m`obligeait" sem dúvida. O salão (Plenário Teotônio Villela) fervilhando de uma centena de crianças e adolescemtes do Colégio São Vicente e da Escola Municipal Campos Salles, contagiando com suas posturas irrequietas e famosa alegria carioca a turba numerosa de professores e professoras e familiares destes e de alunos, muitos dos quais se contentavam em assistir a tudo de pé. Foi um espetáculo à altura de uma coletividade civilizada, que preza a escola, que valoriza os mestres. O pronunciamento do vereador Reimont, pela sua atualidade didática, pelos conceitos sobre educação à Padre Paiva, à Marçal, à Almeida e, sem bajulação, à Lauro Palú, sem me esquecer do senador Cristovam Buarque, constituiu a chave de ouro de abertura do inesquecível encontro. Muito feliz o diretor do São Vicente abrindo as páginas dos feitos da comunidade do colégio seguindo as pegadas do Grande Santo do Grande Século, Vicente de Paulo, narrando no tom singelo de quem nada parece transmitir de extraordinário, causou profunda impressão benéfica no coração da diretora da Escola Municipal Campos Salles. Que não se contendo de emoção, confessou-se encantada com o belo trabalho apostólico exercido pelo Colégio São Vicente de Paulo. Angelical o coral mirim da Escola Campos Salles! Lamentei não ter podido meu filho, José Eduardo, participar comigo da homenagem aos 50 anos do colégio donde, com seu irmão Luiz Augusto, saiu preparado para ambos se formarem na PUC. José Eduardo teria se emocionado bastante ouvindo as peças executadas pelo coral de sua escola, ainda e felizmente sob a batuta de Patrícia! Parabéns à Escola Municipal Campos Salles detentora, a julgar-se pela juventude de seus membros dirigentes, de um promissor potencial de crescente prosperidade! Parabéns ao Colégio São Vicente de Paulo que, aos bem vividos 50 anos, já adquiriu a simpatia da família carioca pela silenciosa missão formadora de agentes de transformação social.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
COMLURB + LIGHT
Registre-se esta data: 12-13 de novembro de 2009. Porquê? Porque a PRAÇA RADIAL SUL, no final da Rua Eduardo Guinle, em Botafogo, Rio, viveu nessa data dias históricos. Mas antes um pequeno preâmbulo. A Praça Radial Sul, timidamente escondida numa curva tão perigosa que mal dá ao motorista que a contorne o prazer de um volver de cabeça para lhe fotografar a cara e memorizá-la, não fora batizada sem razão com o nome que tinha (ou que ainda tem!): "Radial Sul. Esse nome lhe fora cravado, porque, há uns 40 anos atrás, estava nos planos da administração da época de, ligando a Praia de Botafogo ao Jardim Botânico, construir ao pé do morro do Corcovado, paralelamente à Rua São Clemente, uma extensa e moderna avenida, a que se daria o nome de RADIAL SUL, a fim de se descongestionar o trânsito da referida artéria São Clemente. O plano gorou e foi substituído pela abertura do Túnel Rebouças. Como recordação aquela pracinha que lhe ficaria à margem reteve a denominação insossa, inodora e sem sabor de Radial Sul. Sem a denominação de uma pessoa ou de algum acontecimento histórico que a caracterizasse ou personalizasse, tornou-se a Praça Radial Sul, naturalmente, uma presa fácil a qualquer candidato a uma função eletiva que, na ânsia de mais alguns votinhos na urna, prometesse trocar-lhe o nome pelo de alguma personalidade influente nos entornos, caso chegasse a ser eleito. Assim, no início deste século uma vereadora, conseguindo dentro dos trâmites legais a substituição do nome corrente da praça pelo nome do ex-vereador e deputado federal (duas vezes) e senador e jornalista MARIO MARTINS, presidiu a inauguração de uma placa que lá ainda se encontra, bastante mal tratada, com a nova denominação: PRAÇA MARIO MARTINS. Na placa gravou-se o seguinte pensamento do homenageado: "Todo inimigo dos meus filhos é meu inimigo". Mas vejam como até no Rio as máquinas administrativas, por vezes, giram, funcionam, numa supina e lamentável ignorância da existência de outras que com elas estreitamente se relacionam. Na minha típica ingenuidade mineira. solicitei um dia à gerência de uma revista que substituisse meu antigo endereço (Praça Radial Sul) pelo recém instituído (Mario Martins). Não recebendo mais a revista, reclamei. E veio logo a resposta: "O nome da avenida indicado por V.S. não consta da lista de endereços de logradouros da cidade". Pior: o Senhor Laje, que mantém um comércio de flores ao lado da pracinha, revelou-me hoje que foi há pouco tempo informado de que o nome agora da praça é Praça João Fortes! Terminado o preâmbulo, repito: registre-se a data: 12-13 de novembro de 2009. Foi nessa data, mediante a intervenção da COMLURB, podando galhos das árvores da Praça Radial Sul, que finalmente, depois de quase seis meses acesas dia e noite cerca de uma dúzia de lâmpadas ganharam o direito de descansarem DO NASCER AO PÔR DO SOL.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
LIÇÃO DO PEQUENO PEDESTRE"
Embora nascido em 1938, "O PEQUENO PEDESTRE" ainda é um mestre muito atual. Seu autor, VICENTE GUIMARÃES, dirigindo naquela época em Belo Horizonte um Suplemento Infantil, adquiriu algumas centenas de fãs mirins. Entusiasmado, fundou a revista "CARETINHA"que, remetida a seu sobrinho JOÃO GUIMARÃES ROSA, dele mereceu um valioso empurrão: "Tive boa impressão da revista e penso que o filão está sendo bem trabalhado...preencherá brilhantemente as suas finalidades, e, mais do que isso, evidencia sua capacidade de escritor, especialmente no difícil caminho da literatura para crianças. Parabéns". Estimulado, VICENTE GUIMARÃES escreveu e publicou 71 anos atrás "O PEQUENO PEDESTRE", o que o habilitou a ser enviado ao Rio de Janeiro em 1939 para participar da "Semana do Trânsito"como representante do prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitscheck. Antes disto, porém, promoveu entre as crianças um concurso para saber que nome elas gostariam de escolher para ele que tantas histórias lhes contava. Por unanimidade cravaram no voto a palavra "VOVÔ". O "FELÍCIO" nasceu de uma carta que recebera de uma das crianças que havia perdido o avô chamado "FELÍCIO". Assim nascido e registrado nos corações da infância mineira, o VOVÔ FELICIO quis ensinar seus netinhos as principais regras para andarem nas ruas com bastante atenção e segurança. Foi esta a missão do livro que publicou em 1938: "O PEQUENO PEDESTRE". Uma lição entre outras muitas nele contidas diz o seguinte: "UM PEDESTRE INTELIGENTE TEM SEMPRE CALMA E ATENÇÃO, ANDA OLHANDO PARA A FRENTE E JAMAIS VAI CONTRAMÃO", ilustrando com um sugestivo desenho a confusão causada no passeio de uma rua entupida de pedestres indo e vindo sem atenderem ao mais racional princípio que devem seguir as pessoas que andam nas ruas de nossas cidades maiores. Daí: "SE, NA RUA TODA GENTE DESOBEDECESSE A MÃO, TERÍAMOS CERTAMENTE ESTA HORRÍVEL CONFUSÃO". Infelizmente não existe um código de trânsito de pedestres. E no entanto há mais de 70 anos atrás, VOVÔ FELÍCIO já havia contribuído - e quanto! - para a diminuição do estresse dos transeuntes nos passeios e calçadas de nossas megalópoles brasileiras. Claro que essa regra de ouro consta de nosso Código de Trânsito Brasileiro: "Art 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação obedecerá às seguintes regras: I - a circulação far-se-á PELO LADO DIREITO DA VIA, admitindo-se as exceções devidamente sinalizadas." PELO LADO DIREITO DA VIA! Se você, pequeno pedestre, não entender bem o que significa isto, recorra aos seu vovô que se sentirá muito feliz de lhe explicar! Talvez já naqueles idos se dava mais valor aos carros do que aos pedestres pequenos e grandes! "Mutatis mutandis", o princípio do Código de Trânsito vale igualmente para os que andam nos passeios ou calçadas das nossas ruas. E quem diz que é isso o que acontece? Procure cada um de nós caminhar pelos passeios da Avenida Rio Branco, por exemplo! Quase sempre o recurso é sair ziguezagueando que nem uma barata tonta, porque saber andar na mão e não andar na contramão em passeios e calçadas das ruas, qual a criança de hoje que ouviu falar ou que tenha lido isso nalgum manual de boas maneiras ou de instrução cívica? Para finalizar este assunto, confesso orgulhoso que, além de "O PEQUENO PEDESTRE", acompanha-me um livro, editado em 1919 pela Livraria Francisco Alves, Rua do Ouvidor 160, Rio de Janeiro, vigésima segunda edição, intitulado "LEITURA MANUSCRIPTA", LIÇÕES COLIGIDAS POR B.P.R., aprovado e adoptado pelo Governo para as Escolas Publicas do Estado, com 126 páginas, reproduzindo textos MANUSCRIPTOS de vários autores com as respectivas maneiras de grafar as letras dos vocábulos e nos ensinando que "devemos escrever correctamente, com estylo, com elegancia... e com calligraphia". Uma hora por semana os alunos deviam empregar na leitura oral do texto de algum autor, para aprenderem não apenas a escrever corretamente, com estilo, com elegância... mas também para se exercitarem no esforço de decifrarem o conteúdo das palavras escritas, por exemplo, numa receita fornecida por um médico! E ESPECIALMENTE COM CALLIGRAPHIA! "A calligraphia é um bom dote no homem, não é por certo o mais precioso, entretanto merece bem que não seja desprezado"("Leitura Manuscripta", pag. 10).
domingo, 8 de novembro de 2009
O PEQUENO PRÍNCIPE NA OCA
Parque do Ibirapuera - Pavilhão Lucas Nogueira Garcez - OCA - São Paulo. No dia 4 de novembro próximo passado, às 10 da manhã, esquecidos da tranquilidade da avenida Higienópolis, penetramos no portão 03 da av. Pedro Alvarez Cabral, s/n. Munidos dos devidos passaportes, meu filho LUIZ AUGUSTO e ESPOSA MARIANA, e este octogenário, que tudo daria para não perder essa viagem de mágico encantamento, apertamos logo o passo para podermos acompanhar o neto GAEL que não cabia em si de ansiedade para descobrir e ver a encantadora história que mal começava no interior daquele monumental museu paulistano. Ele, o neto GAEL, já conhecia de vista noturna e de vista diurna o perfil do personagem que começava a visitar: ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY. De vista noturna, sim, porque não admitia dormir sem a fronha e o lençol com os mágicos desenhos do poeta-pintor-aviador, presente de aniversário da avó paterna LÉA MARIA . De vista diurna também, porque de segunda a sexta, sozinho fazia questão de atravessar quase marchando ou apostando corrida com algum coleguinha o longo corredor do colégio, onde estudava, até desaparecer na entrada da sala da Tia Renata. Mas - e eis o pormenor - sempre dependurada nas costas a mochila do PEQUENO PRÍNCIPE bem visível, vestido de amarelo, pairando no ar e arrastado por um cordame puxado por onze pássaros com a seguinte explicação: "Je crois qu`il profita, pour son évasion, d`une migration d`oiseaux sauvages". Com a mais infantil simplicidade e com a mais acurada perfeição os organizadores da exposição souberam atingir as mais profundas e delicadas linhas do encantamento e da curiosidade das crianças pequenas e grandes que no sonho vivido naquele museu estão lendo, mais com a imaginação e com a sensibilidade do que com os olhos, cada uma das páginas do livro " O PEQUENO PRÍNCIPE", escrito pelo poeta- aviador ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY. Uma quase "fábula lírica e profunda, com um dos mais amados personagens de ficção, o principezinho, que vem de um planeta distante para ensinar os homens a viver de verdade". Eis o conselho apontado pelo folheto recebido pelo visitante ao adentrar nesse mundo encantado: "Vamos descobrir essa história como quem entra numa fábula. Deixe-se levar, com a alma em liberdade, como se o país da infância nunca pudesse se afastar de você. Se você é uma criança, lembre-se do que acha importante hoje. Guarde esses valores intactos para quando for uma pessoa grande. Se você já é uma pessoa grande, deixe fluir a criança que existe dentro de você". De minha parte, um conselho não pedido, nem querendo eu ser intrometido embora já o sendo: podendo, vá visitar a exposição! E guarde com a máxima fidelidade as paisagens gravadas em suas cordas sentimentais as mais humanas, para que, se as percorrerdes um dia e se, à vista de uma delas, uma estrela no céu lhe chamar fortemente a curiosidade, não prossiga, detenha-se sob sua luminosidade. E se uma criança se aproximar de você, se sorrir, se tiver cabelos de ouro, se interrogada nada lhe responder, você já sabe quem ela é! Então seja gentil! Não me deixe continuar mergulhado em tamanha tristeza: escreva-me depressa que ela voltou! (Fecho do livro "O PEQUENO PRÍNCIPE").
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Com a devida permissão
Autorizou-me o amigo Vicente Guimarães Júnior, filho do VOVÔ FELÍCIO, autor do "PEQUENO PEDESTRE", a transcrever aqui alguns tópicos de uma conferência que pronunciou em Belo Horizonte, no dia 30 de junho de 2007. Tratava-se de uma homenagem ao primo e padrinho JOÃO GUIMARÃES ROSA, cujo centenário de nascimento, em Cordisburgo, se comemoraria no dia 27/06/08. No seu pronunciamento o conferencista, voltando-se ao início dos anos 60, quando da visita do "imortal" a seus pais no Rio de Janeiro, revelou aos seus ouvintes o que naquela ocasião ouvira do importante escritor mineiro: "Se a morte é o que há de mais certo no nosso futuro, por que não nos organizamos para o inexorável? Eu treino para morrer. Deito-me às vezes bem tranquilo em ambiente escuro e silencioso, concentro-me no pensamento de que estou perdendo as forças, que não posso mover-me, aos poucos a vida se esvai. Já quase não enxergo, a respiração falha". A aparente morbidez da conversa não me levava a querer mudar de assunto, ou sair da sala, e em vez disto minha atenção e interesse aumentavam. A frase do Joãozito (nome com que tratavam em família o famoso escritor) "Tenho saudade do ceu!" me ficou gravada de maneira literal e indelével e me pareceu poesia pura, de um bom gosto e profundidade que não mais esqueci. Tudo isto reapareceu com intensidade em minha memória, quando Joãozito, muito tempo depois, após ser eleito para a Academia Brasileira de Letras, adiou por vários anos sua posse por temor (eu estava certo?) de que poderia falecer. O que realmente aconteceu: poucos dias, menos de uma semana depois da posse, veio a morrer de repente, confirmando sua própria profecia. Não sei como foram seus últimos momentos de vida, mas suspeito que não tenha sido possível colocar em prática o treinamento descrito.
"Eleito em agosto de 1963 para a ABL, João Guimarães Rosa tomou posse a 16 de novembro de 1967 como sucessor de João Neves da Fontoura na cadeira número 2 de que é patrono Álvares de Azevedo, tendo então pronunciado um discurso em que afirmava que "as pessoas não morrem, ficam ENCANTADAS. Durante a solenidade manifestou os primeiros sinais do enfarte que três dias depois lhe tiraria a vida" (Dicionário Biográfico de Minas Gerais, volume 2, pág. 598). Quero crer que pela expressão "ficam encantadas" João Guimarães Rosa admitia a vida eterna e a ressurreição dos "que dormem". As frases "DORMEM EM PAZ" e "A DOR É BREVE MAS A ALEGRIA É ETERNA", gravadas respectivamente nos túmulos de TRISTÃO DE ATHAYDE e de LYSANDRA DE ANDRADE, ex-aluno do Caraça, muito bem caracterizam o espírito cristão e católico dessas pessoas.
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